Dia 24 de junho é Dia Mundial de Prevenção de Quedas

Quedas é o evento adverso mais notificado no país pelo Sistema Notivisa da ANVISA

Por Isis Breves | publicado em 24/06/2016

Dia 24 de junho é Dia Mundial de Prevenção de Quedas, data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incorporada ao Calendário da Saúde do Ministério da Saúde (MS) para alertar especialmente idosos sobre o risco de queda, que representa hoje um grave problema de saúde. No Brasil, aproximadamente 30% dos idosos que vivem em comunidade caem, 50% destes ficam com a mobilidade reduzida e de 5% a 10% sofrem alguma fratura. A OMS registra um milhão de fraturas de fêmur de idosos no mundo, sendo 600 mil só no Brasil. Destas, 90% são causadas por quedas. No universo hospitalar, a queda relacionada ao cuidado de saúde produz danos em 30% a 50% dos casos, sendo que 6% a 44% desses pacientes sofrem danos de natureza grave, como fraturas, hematomas e sangramentos, que podem levar ao óbito, além de aumentar o tempo de internação do paciente.

No dia 27 de maio, foi veiculada na imprensa a morte de um paciente de 57 anos que estava internado em um hospital da cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, após ter tido uma fratura decorrente de uma queda do leito. Casos como essesão eventos que podem ser evitados através da implementação de Protocolos de Prevenção de Quedas para Segurança do Paciente. “As principais causas de queda estão relacionadas à identificação dos riscos da população alvo a ser avaliada, levando em consideração os fatores intrínsecos e extrínsecos envolvidos na assistência à saúde hospitalar”, explica a enfermeira Viviane Ernesto Iwamoto, Gestora do Protocolo de Quedas do Hospital Samaritano.

Viviane alerta que as causas intrínsecas que predispõem o risco para queda são os extremos de idade, ou seja, menores de 5 anos e maiores de 65 anos, histórico de quedas recorrentes, dificuldade de marcha e morbidades (déficit sensitivo, artrite, baixo índice de massa corpórea, insônia, distúrbios neurológicos, confusão, agitação, desorientação, urgência urinária e intestinal). Além disso, ela aponta que há também causas extrínsecas. “Fatores ambientais, como presença de escada, mobiliário e desníveis de piso, calçados impróprios e roupas longas são alguns exemplos. Deve-se ficar atento também à presença de dispositivos que interfiram na locomoção do paciente (por exemplo, venoclise, bengalas, muletas e andadores), bem como ao uso de medicamentos que aumentam o risco de quedas (ansiolíticos, hipnóticos, antipsicóticos e antidepressivos, anti-hipertensivos, anticolinérgicos, diuréticos, antiarrítmicos, hipoglicemiantes, manitol – em preparo para colonoscopia) e à polifarmácia – associação de 5 ou mais medicamentos”, fala Viviane Iwamoto.

Segundo a gestora de enfermagem Virginia Paraizo, do Hospital Samaritano, “nortear e padronizar, de modo sistemático, condutas de avaliação de risco, intervenção clínica e monitoramento multidisciplinar para prevenção de quedas e mitigação de suas consequências, baseadas em evidência científica e validadas pelo corpo clínico para o gerenciamento do evento adverso, são pontos cruciais para implementar medidas de prevenção”.

Virginia Paraizo e Viviane Iwamoto explicam que a padronização através do uso de protocolos visa aumentar a eficácia, contribui para o desenvolvimento da segurança do paciente e utiliza de forma racional e segura os recursos institucionais disponíveis.

No Hospital Samaritano São Paulo as metas do Programa Multidisciplinar Universal para Prevenção de Quedas são:

  • Pró-atividade da equipe multidisciplinar: atender e programar as necessidades de ajuda: ida ao banheiro; movimentação da cama para poltrona; troca de fraldas; uso de papagaio ou comadre e chamadas de campainha.
  • Promover um ambiente seguro: manter grades superiores elevadas; manter o chão limpo e seco; orientar o uso de sapatos seguros, com solados antiderrapantes; propiciar iluminação adequada e utilizar “luz noturna”; manter cama baixa e travada; deixar a campainha, mesa auxiliar, telefone e outros itens utilizados com frequência ao alcance do paciente; manter o alarme da cama ligado no período noturno (00:00h às 06:00h);
  • Desinvasão do paciente: avaliar continuamente a possibilidade de retirada de dispositivos.
  • Educação e sensibilização do paciente/família: checar o entendimento das orientações para a prevenção de queda com o paciente/família/acompanhante a cada troca de plantão. 

 

O Protocolo de Prevenção de Quedas do Hospital Samaritano teve início em 2004; porém, sua criação foi realizada no processo de enfermagem exclusivamente, estabelecendo padrões mínimos e a ideia de notificação do evento. Viviane conta que a adesão pela equipe, paciente e familiar ainda era limitada às ocorrências pontuais, sem análise crítica e avaliação multidisciplinar naquela época.

 

“Em 2009, o tema passou a ser desenvolvido desde a integração, com ações mais abrangentes. Já em 2013, foi instituído um vídeo educacional. Assim, a equipe multidisciplinar passou a integrar o grupo de avaliação de riscos. Em 2014, fizemos a revisão do protocolo e sentimos a necessidade de avaliar uma escala preditiva de risco, para definir a população de alto risco. Optamos, então, pela John Hopkins Fall Risk Assessment Tool e iniciamos o trabalho de aquisição e validação transcultural da ferramenta”, conta Viviane Iwamoto.

 

Em 2015, o Hospital Samaritano SP passou a realizar uma avaliação psicossocial integrando o familiar ao cuidado, normatizando a saída do leito com acompanhamento da fisioterapia e avaliação da farmácia clínica. “É importante dizer que o grupo consolidou e começou a trabalhar também com as avaliações preditivas e a definição de fatores ambientais no processo decisório de compras de equipamentos”, afirma Virginia Paraizo.

 

Viviane e Virginia falam ainda que o envolvimento da equipe na discussão dos protocolos e eventos adversos, incluindo os profissionais nos planos de ação, a educação continuada, a versão de ensino a distância e o programa de integração são estratégias para adesão dos profissionais ao protocolo.

 

Por fim, o Hospital Samaritano SP acredita no envolvimento do paciente para a melhoria do cuidado. “Existe um mecanismo sonoro para saída do paciente do leito. O ajuste é feito em acordo com o paciente e isso o ajuda a lembrar das questões abordadas durante o processo de educação. As rondas noturnas passaram a ser efetivas com os acordos de ida ao banheiro e movimentação no quarto. Existe uma abordagem psicossocial em que o paciente e o familiar são envolvidos no processo de prevenção de risco. Quando o paciente está sem acompanhante e tem difícil adesão ao processo de prevenção, os profissionais de saúde são acionados para intervir”, acrescentam.

 

Saiba Mais: O Hospital Samaritano SP é parceiro do Proqualis e responsável pela coordenação da página de Prevenção de Quedas das Experiências Brasileiras do Portal Proqualis. Para ter acesso às ferramentas, indicadores, literatura de interesse e demais conteúdos, como vídeos e aulas sobre prevenção de quedas, acesse: http://proqualis.net/prevenção-de-quedas