Questões relacionadas ao ambiente e à descontaminação para coronavírus humanos e seus possíveis substitutos

Nevio Cimolai
Título original:
Environmental and decontamination issues for human coronaviruses and their potential surrogates
Resumo:

Resumo
A pandemia da nova doença do coronavírus de 2019 (COVID-19) representa um importante motivo para rever as formas de contenção do coronavírus (CoV). Para estabelecer alguns conceitos preliminares sobre descontaminação e desinfecção, foram avaliados muitos substitutos do CoV. Esta revisão examina os conhecimentos científicos existentes sobre a contenção de CoVs em geral, procurando então traduzir estes achados em aplicações oportunas para a COVID-19. Os CoVs se disseminam amplamente no ambiente imediato do paciente, podendo se propagar através de secreções respiratórias, urina e fezes. As interpretações da propagação, no entanto, devem considerar se os estudos procuraram identificar o RNA viral, a viabilidade do vírus por cultura ou ambos. A excreção do vírus por pacientes pré-sintomáticos, assintomáticos e após 14 dias pode complicar a epidemiologia. Embora a propagação por gotículas esteja bem estabelecida, ainda há controvérsias sobre a extensão da possível propagação pelo ar, especialmente no caso do coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2). Os CoVs são estáveis em secreções corporais e em esgoto a temperaturas reduzidas. Além da temperatura, da secura e da umidade relativa, a carga viral inicial, a presença concomitante de biocarga e o tipo de superfície podem afetar a estabilidade viral. De modo geral, os CoVs podem ser suscetíveis a radiação, extremos de temperatura, extremos de pH, peróxidos, halogênios, aldeídos, muitos solventes e vários álcoois. Embora os detergentes surfactantes possam ter alguma atividade direta, recomenda-se a utilização destes compostos como complementos numa solução desinfetante complexa. Desinfetantes com diversos agentes e pH adverso têm mais probabilidade de serem efetivos na água a uma temperatura mais elevada. Devem ser encorajadas as avaliações em ambientes reais com diluições de trabalho. O uso da descontaminação e desinfecção deve ser balanceado com considerações sobre a segurança do paciente e do cuidador. Os processos também devem ser balanceados com considerações sobre outros patógenos potenciais que devem ser atacados. Dadas algumas diferenças entre CoVs e dado que os testes com substitutos servem, na melhor das hipóteses, como correlatos experimentais, são necessárias avaliações diretas com o SARS-CoV, o coronavírus relacionado à síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e o SARS-CoV-2.
 

Resumo Original:

Abstract
Pandemic coronavirus disease-2019 (COVID-19) gives ample reason to generally review coronavirus (CoV) containment. For establishing some preliminary views on decontamination and disinfection, surrogate CoVs have commonly been assessed. This review serves to examine the existing science in regard to CoV containment generically and then to translate these findings into timely applications for COVID-19. There is widespread dissemination of CoVs in the immediate patient environment, and CoVs can potentially be spread via respiratory secretions, urine, and stool. Interpretations of the spread however must consider whether studies examine for viral RNA, virus viability by culture, or both. Presymptomatic, asymptomatic, and post-14 day virus excretion from patients may complicate the epidemiology. Whereas droplet spread is accepted, there continues to be controversy over the extent of possible airborne spread and especially now for severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2). CoVs are stable in body secretions and sewage at reduced temperatures. In addition to temperature, dryness or relative humidity, initial viral burden, concomitant presence of bioburden, and the type of surface can all affect stability. Generalizing, CoVs can be susceptible to radiation, temperature extremes, pH extremes, peroxides, halogens, aldehydes, many solvents, and several alcohols. Whereas detergent surfactants can have some direct activity, these agents are better used as complements to a complex disinfectant solution. Disinfectants with multiple agents and adverse pH are more likely to be best active at higher water temperatures. Real-life assessments should be encouraged with working dilutions. The use of decontamination and disinfection should be balanced with considerations of patient and caregiver safety. Processes should also be balanced with considerations for other potential pathogens that must be targeted. Given some CoV differences and given that surrogate testing provides experimental correlates at best, direct assessments with SARS-CoV, Middle East respiratory syndrome-related coronavirus (MERS-CoV), and SARS-CoV-2 are required.
Keywords: COVID-19; coronavirus; disinfection; prevention; transmission.
 
 

Fonte:
Journal of Medical Virology ; 2020. DOI: 10.1002/jmv.26170.