Precauções para a transmissão pelo ar ou por gotículas para profissionais da saúde que atendem pacientes com COVID-19

Prateek Bahl ; Con Doolan ; Charitha de Silva ; Abrar Ahmad Chughtai ; Lydia Bourouiba ; C Raina MacIntyre
Título original:
Airborne or droplet precautions for health workers treating COVID-19?
Resumo:

Resumo
Já foram relatados casos de COVID-19 em mais de 200 países. Milhares de profissionais da saúde foram infectados e já ocorreram surtos em hospitais, instituições de longa permanência e prisões. A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu diretrizes para precauções de contato e para a transmissão por gotículas para profissionais da saúde que atendem pacientes com suspeita de COVID-19, enquanto os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA recomendaram precauções para a transmissão pelo ar. A regra de separação por 1 a 2 metros é crucial para prevenir a transmissão por gotículas e pressupõe que as gotas maiores não percorrem mais de 2 metros. Procuramos rever as evidências sobre a distância horizontal percorrida por gotículas e as diretrizes emitidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) e o Centro Europeu para o Controle e Prevenção de Doenças (ECDC) relacionadas à proteção respiratória para a COVID-19. Constatamos que a base de evidências das diretrizes atuais é escassa, e os dados disponíveis não corroboram a regra de 1 a 2 metros de separação espacial. De dez estudos que examinaram a distância horizontal percorrida pelas gotículas, oito mostraram que as gotas percorrem mais de 2 metros, chegando em alguns casos a mais de 8 metros. Vários estudos sobre o SARS-CoV-2 corroboram a transmissão por aerossóis, e um estudo detectou vírus a uma distância de 4 metros do paciente. Além disso, as evidências sugerem que as infecções não podem ser facilmente separadas de forma dicotômica entre transmissão por gotículas e pelo ar. Os estudos disponíveis também mostram que o SARS-CoV-2 pode ser detectado no ar 3 horas após a formação do aerossol. O peso das evidências combinadas corrobora o uso de precauções para a transmissão pelo ar a fim de garantir a saúde ocupacional e a segurança dos profissionais da saúde que atendem pacientes com COVID-19.
 

Resumo Original:

Abstract
Cases of COVID-19 have been reported in over 200 countries. Thousands of health workers have been infected and outbreaks have occurred in hospitals, aged care facilities and prisons. World Health Organization (WHO) has issued guidelines for contact and droplet precautions for Healthcare Workers (HCWs) caring for suspected COVID-19 patients, whilst the US Centre for Disease Control (CDC) has recommended airborne precautions. The 1 - 2 m (≈3 - 6 ft) rule of spatial separation is central to droplet precautions and assumes large droplets do not travel further than 2 m (≈6 ft). We aimed to review the evidence for horizontal distance travelled by droplets and the guidelines issued by the World Health Organization (WHO), US Center for Diseases Control (CDC) and European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) on respiratory protection for COVID-19. We found that the evidence base for current guidelines is sparse, and the available data do not support the 1 - 2 m (≈3 - 6 ft) rule of spatial separation. Of ten studies on horizontal droplet distance, eight showed droplets travel more than 2 m (≈6 ft), in some cases more than 8 meters (≈26 ft). Several studies of SARS-CoV-2 support aerosol transmission and one study documented virus at a distance of 4 meters (≈13 ft) from the patient. Moreover, evidence suggests infections cannot neatly be separated into the dichotomy of droplet versus airborne transmission routes. Available studies also show that SARS-CoV-2 can be detected in the air, 3 hours after aeroslisation. The weight of combined evidence supports airborne precautions for the occupational health and safety of health workers treating patients with COVID-19.
 

Fonte:
The Journal of Infectious Diseases ; 189; 2020. DOI: 10.1093/infdis/jiaa189.