O papel dos pacientes e seus familiares em se manifestar em nome de sua própria segurança: um estudo qualitativo sobre doenças agudas

RAINEY, H. ; EHRICH, K. ; MACKINTOSH, N. ; SANDALL, J.
Título original:
The role of patients and their relatives in ‘speaking up’ about their own safety: a qualitative study of acute illness
Resumo:

Contexto: O mau reconhecimento e as respostas inadequadas a doenças agudas em pacientes internados continuam a causar danos consideráveis, apesar da implementação de estratégias de segurança como os escores de alerta precoce. Os pacientes e seus familiares podem contribuir para sua própria segurança ao informarem sobre mudanças em sua condição de saúde. Pouco se sabe, porém, sobre os fatores que influenciam essa atitude. Este estudo examinou as experiências e os pontos de vista dos pacientes e seus familiares, a fim de determinar o potencial de envolvimento deles na promoção de sua própria segurança.

Métodos: Este conjunto de dados foi extraído de um estudo etnográfico mais amplo sobre o manejo de pacientes que apresentam deterioração aguda no hospital. Foram entrevistados treze pacientes e sete familiares em dois ambientes clínicos de dois NHS Trusts no Reino Unido. Uma análise temática identificou fatores que provavelmente influenciam os pacientes e seus familiares a contribuírem com o manejo da deterioração.

Resultados: Todos os pacientes entrevistados tinham sofrido agudização de um problema de saúde crônico. A atitude de se manifestar foi influenciada pela capacidade de reconhecer mudanças na própria condição clínica, pelo automonitoramento, pela confiança em si e nos outros, pela cultura e pelo sistema de cuidado de saúde. Quando os pacientes ou seus familiares expressaram suas preocupações, os profissionais de saúde tiveram um efeito mediador sobre seu conforto em relação à atitude de se manifestar e sobre a efetividade do ato.

Implicações: As estratégias de segurança baseadas no envolvimento do paciente devem ter em conta as complexidades das doenças agudas. As estratégias que promovem parcerias podem ser mais aceitáveis para os pacientes, seus familiares e os profissionais do que aquelas que  promovem um comportamento de questionamento e podem, no fim das contas, revelar-se as mais seguras e eficazes.

Resumo Original:

Background: Poor recognition of and response to acute illness in hospitalized patients continues to cause significant harm despite the implementation of safety strategies such as early warning scores. Patients and their relatives may be able to contribute to their own safety by speaking up about changes in condition, but little is known about the factors that influence this. This study examined the experiences and views of patients and their relatives to determine the potential for involvement in promoting their own safety.

Methods: This data set is drawn from a wider ethnographic study of the management of the acutely ill patient in hospital. Thirteen patients and seven relatives from two medical settings in two UK NHS Trusts were interviewed. Thematic analysis identified factors likely to influence patients' and their relatives' ability to contribute to the management of deterioration.

Results: All patients interviewed had experienced their acute illness within the context of a long-term health problem. Speaking up was influenced by the ability to recognize changes in clinical condition, self-monitoring, confidence and trust, and culture and system of health care. When patients or relatives did raise concerns, health-care staff had a mediating effect on their comfort with and the effectiveness of speaking up.

Implications: Safety strategies based on patient involvement must take account of the complexities of acute illness. Those that promote partnership may be more acceptable to patients, their families and staff than those that promote challenging behaviour and may ultimately prove to be most safe and effective.

Fonte:
Health expect ; 18(3): 392–405; 2015. DOI: 10.1111/hex.12044.
DECS:
doença aguda, família, entrevistas como assunto, participação do paciente, segurança do paciente, pacientes, pesquisa qualitativa, autocuidado
Nota Geral:

Imagem de destaque: Hannibal Regional Hospital