Cuidado de saúde resiliente: uma revisão sistemática das conceptualizações, métodos de estudo e fatores que promovem o desenvolvimento da resiliência

Mais Iflaifel ; Rosemary H. Lim ; Kath Ryan ; Clare Crowley
Título original:
Resilient Health Care: a systematic review of conceptualisations, study methods and factors that develop resilience
Resumo:

CONTEXTO: As abordagens tradicionais de gestão da segurança no cuidado de saúde se concentram principalmente em contar os erros e compreender como surgem os problemas. O Cuidado de Saúde Resiliente (CSR) apresenta uma perspectiva complementar que procura aprender com os incidentes e compreender por que, na maior parte do tempo, o trabalho é seguro. O objetivo desta revisão foi identificar como o CSR é conceptualizado, descrito e interpretado na literatura publicada, descrever os métodos usados para estudá-lo e identificar fatores que ajudam a desenvolvê-lo. MÉTODOS: Fizemos pesquisas nas bases de dados PubMed, Scopus e Cochrane para identificar estudos relevantes submetidos à revisão por pares, bem como uma pesquisa manual em busca de estudos publicados em livros que explicassem como o CSR tem sido interpretado como um conceito, quais métodos são utilizados para estudá-lo e quais fatores são importantes para o seu desenvolvimento. Os estudos foram avaliados de forma independente por dois pesquisadores. Os dados foram sintetizados através de uma abordagem temática. RESULTADOS: Dentre os 36 estudos incluídos, observamos descrições semelhantes do CSR, que foi compreendido como a capacidade de ajustar seu funcionamento antes, durante ou depois da ocorrência de eventos, sustentando assim as operações necessárias tanto em condições esperadas como inesperadas. Os métodos utilizados para estudar o CSR foram principalmente qualitativos. Foram utilizados dois tipos de fontes de dados: diretas (tais como grupos focais e estudos) e indiretas (como observações e simulações). Em sua maioria, as ferramentas para o estudo do CSR foram desenvolvidas com base em construtos resilientes predefinidos e foram classificadas em três categorias: variabilidade do desempenho e Trabalho Tal como é Feito (Work As Done), capacidades fundamentais para a resiliência e integração com outros paradigmas de gestão da segurança. Existem ferramentas para o estudo do CSR, mas ainda não foram plenamente implementadas. Os fatores utilizados para desenvolver o CSR foram: relações efetivas entre equipes, o equilíbrio entre diferentes escolhas (trade-offs) e o treinamento em resiliência para profissionais da saúde. CONCLUSÕES: Embora houvesse consistência na conceptualização do CSR, nos métodos usados para estudá-lo e nos fatores para desenvolvê-lo, várias questões ainda precisam ser respondidas para podermos identificar com confiança uma estratégia padrão-ouro para o seu estudo. Estas incluem a operacionalização de métodos de avaliação do CSR em diversos níveis e ambientes e o desenvolvimento, teste e avaliação de intervenções para lidar com as implicações mais amplas do CSR para a segurança em meio a mudanças organizacionais e institucionais.

Resumo Original:

BACKGROUND: Traditional approaches to safety management in health care have focused primarily on counting errors and understanding how things go wrong. Resilient Health Care (RHC) provides an alternative complementary perspective of learning from incidents and understanding how, most of the time, work is safe. The aim of this review was to identify how RHC is conceptualised, described and interpreted in the published literature, to describe the methods used to study RHC, and to identify factors that develop RHC. METHODS: Electronic searches of PubMed, Scopus and Cochrane databases were performed to identify relevant peer-reviewed studies, and a hand search undertaken for studies published in books that explained how RHC as a concept has been interpreted, what methods have been used to study it, and what factors have been important to its development. Studies were evaluated independently by two researchers. Data was synthesised using a thematic approach. RESULTS: Thirty-six studies were included; they shared similar descriptions of RHC which was the ability to adjust its functioning prior to, during, or following events and thereby sustain required operations under both expected and unexpected conditions. Qualitative methods were mainly used to study RHC. Two types of data sources have been used: direct (e.g. focus groups and surveys) and indirect (e.g. observations and simulations) data sources. Most of the tools for studying RHC were developed based on predefined resilient constructs and have been categorised into three categories: performance variability and Work As Done, cornerstone capabilities for resilience, and integration with other safety management paradigms. Tools for studying RHC currently exist but have yet to be fully implemented. Effective team relationships, trade-offs and health care 'resilience' training of health care professionals were factors used to develop RHC. CONCLUSIONS: Although there was consistency in the conceptualisation of RHC, methods used to study and the factors used to develop it, several questions remain to be answered before a gold standard strategy for studying RHC can confidently be identified. These include operationalising RHC assessment methods in multi-level and diverse settings and developing, testing and evaluating interventions to address the wider safety implications of RHC amidst organisational and institutional change.

Fonte:
; 20(1): 324; 2020. DOI: 10.1186/s12913-020-05208-3.