Conforto com a incerteza: reformulando nossas concepções sobre como os profissionais clínicos atravessam situações clínicas complexas

Ilgen, J. S ; Eva, K. W. ; de Bruin, A. ; Cook, D. A ; Regehr, G.
Título original:
Comfort with uncertainty: reframing our conceptions of how clinicians navigate complex clinical situations
Resumo:

O processo de aprender a tomar medidas seguras e efetivas em ambientes complexos e repletos de incertezas é essencial para a segurança do paciente e a qualidade do cuidado. Isto não é fácil para os profissionais em formação, pois muitas vezes consideram que a certeza é um precursor necessário para a ação e, consequentemente, enfrentam dificuldades nesses contextos. Dessa forma, a compreensão de como os profissionais clínicos experientes trabalham de maneira confiante diante de incertezas serve como uma importante oportunidade para facilitar o desenvolvimento do raciocínio clínico dos profissionais em formação. Esta revisão crítica visa definir e elaborar o conceito de “conforto com a incerteza” em ambientes clínicos, justapondo uma variedade de referenciais conceituais e teorias, de modo a gerar formas mais deliberadas de pensar e pesquisar este fenômeno. Usamos a plataforma Google Scholar para identificar conceitos teóricos e resultados relevantes para os tópicos “incerteza”, “ambiguidade”, “conforto” e “confiança” e então usamos os nossos resultados preliminares para realizar pesquisas paralelas nas literaturas sobre cognição social, cognição, sociologia, estudos socioculturais, filosofia da medicina e educação médica. Consideramos que a incerteza representa a experiência vivida das pessoas, refletindo a falta de confiança que uma pessoa sente quando possui uma representação mental incompleta de um problema em particular. O conforto, por outro lado, refere-se à confiança de uma pessoa em sua capacidade de agir (ou não) de maneira segura e eficaz diante de uma situação. O “conforto com a incerteza” dos profissionais clínicos baseia-se numa série de sinais perceptivos, emocionais e situacionais e é possibilitado por uma combinação de automonitoramento e planejamento prévio. Este artigo também explora as possíveis implicações do uso do “conforto com a incerteza” como um referencial conceitual para programas educativos e de pesquisa.

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