Em defesa da amamentação

Semana Mundial de Aleitamento Materno promove os benefícios dessa prática em mais de 120 países.

Autor pessoal: 
Annalu Pinto da Silva;

Amamentar é um ato essencial para a vida. Além de nutrir seu bebê, a mãe que amamenta estabelece com ele uma profunda interação. Os benefícios do leite materno se refletem não apenas no estado nutricional da criança, mas também em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Para divulgar a importância da amamentação, acontece no início de agosto em mais de 120 países a Semana Mundial de Aleitamento Materno.

A data foi criada em 1992 pela Aliança Mundial para Ação em Amamentação (WABA), fundada para cumprir os objetivos estabelecidos em um documento elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Unicef para reduzir a mortalidade infantil por meio de ações ligadas à amamentação. O documento foi adotado por organizações governamentais e não-governamentais em vários países, entre eles o Brasil. A cada ano, a WABA define um tema a ser trabalhado na Semana Mundial e lança materiais informativos que são traduzidos para 14 idiomas. Em 2018, o tema escolhido foi: “Amamentação é a base da vida”.

A recomendação do Ministério da Saúde é que a mãe amamente seu filho ou filha até pelo menos dois anos de idade. E, nos primeiros 6 meses de vida, o bebê deve receber somente leite materno; não é necessário dar outros alimentos, sucos, chás ou mesmo água. A alimentação só deve ser complementada após esse período. Quanto mais tempo o bebê mamar no peito, melhor para ele e para a mãe.

Segundo Maria Inês Couto de Oliveira, membro do Grupo Técnico Interinstitucional de Aleitamento Materno do Estado do Rio de Janeiro e da International Baby-Food Action Network (IBFAN), são muitos os benefícios da amamentação, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Amamentar promove maior interação entre a mãe e seu filho ou filha, reduz a perda de sangue após o parto, protegendo contra anemia, ajuda o útero a voltar ao normal e ainda previne o câncer de mama e de ovário. A amamentação regular também tem efeito contraceptivo, além de ser prática e de poupar gastos.

 


                                                                                                                                          Pixabay - CC0

 

A alimentação com leite materno protege o bebê de infecções, desnutrição, diabetes tipo 2 e obesidade e reduz a morbimortalidade neonatal e infantil. Além disso, mamar no peito promove o desenvolvimento oral e neuromotor da criança e desenvolve sua inteligência e seu equilíbrio emocional.

Maria Inês Oliveira cita ainda algumas vantagens que a amamentação traz para a família e até para a sociedade como um todo. Devido ao seu efeito contraceptivo, ela permite maior espaçamento entre os filhos, contribuindo com o planejamento familiar. Além disso, gera menos gastos com mamadeiras, alimentos, água, remédios, tratamentos ortodônticos e internações, assim como menos danos ao meio ambiente.

Para reforçar a importância da amamentação e do leite materno como alimento para o bebê, o Proqualis entrevistou Maíra Domingues Bernardes Silva, enfermeira pediátrica do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

 

Proqualis: Qual a importância da amamentação para a mãe e para o bebê?

Maíra Silva: O leite materno é considerado alimento padrão ouro, porque contém tudo que o bebê precisa para seu melhor e mais adequado crescimento e desenvolvimento.
O bebê que mama exclusivamente no seio materno tem maior proteção contra doenças prevalentes na infância, como diarreias e doenças respiratórias. Na fase adulta, é reduzido o risco de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Estudos também apontam que uma criança amamentada por pelo menos um ano tem maiores níveis de inteligência.

Além disso, amamentar também beneficia a mãe e, consequentemente, a família, pois, a cada ano que a mulher amamenta, sua chance de desenvolver câncer de mama e ovário reduz. E tem mais: o leite materno é de graça, é prático, pois está sempre na temperatura ideal e livre de micro-organismos, e é sustentável para o ambiente. Nesse contexto, amamentar é muito mais que alimentar a criança, mas também tornar o mundo mais saudável, com pessoas mais inteligentes, que podem ser capazes de fazer dele um lugar melhor. Amamentar é a base da vida!


Proqualis: Como funcionam os bancos de leite humano?

Maíra Silva: Os bancos de leite humano surgiram como uma estratégia de qualificação da assistência neonatal em termos de segurança alimentar e nutricional. Eles fazem a coleta, o processamento e o controle de qualidade do leite materno doado para posterior distribuição aos recém-nascidos de alto risco (prematuros, com baixo peso ao nascer ou com alguma patologia congênita). Além disso, são verdadeiras casas de apoio à amamentação, oferecendo ajuda e suporte para mães e bebês com dificuldade na amamentação, com o objetivo de melhorar os indicadores de aleitamento materno, uma estratégia eficaz para redução da morbimortalidade infantil.

Mulheres que estejam amamentando e são saudáveis podem ser doadoras de leite materno e ajudar a salvar a vida de bebês que estão internados em unidade de terapia intensiva neonatal. Um pouquinho de leite por dia representa MUITO para esses bebês.

Para se cadastrar como doadora de leite materno, ou se precisar de ajuda para amamentar, procure o banco de leite humano mais próximo de sua residência pelo telefone 0800-0268877 ou pelo portal da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano: www.rblh.fiocruz.br