Dia Nacional do Controle da Infecção Hospitalar - 15 de maio

Aborda tema sobre a resistência aos antimicrobianos e a prática de prevenção à doenças infecciosas utilizando medicamentos eficazes.

Autor pessoal: 
Annalu Pinto da Silva;

Com o objetivo de conscientizar autoridades sanitárias, diretores de instituições e trabalhadores de saúde sobre a importância do controle das infecções, foi instituído, por meio da Lei no 11.723, de 23 de junho de 2008 o Dia Nacional do Controle da Infecção Hospitalar.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desenvolveu o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) tem como objetivo diminuir a incidência nacional de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). A primeira versão do Programa abrangeu o triênio 2013-2015 e contemplou quatro objetivos: 1) reduzir infecções primárias da corrente sanguínea; 2) reduzir infecções do sítio cirúrgico; 3) estabelecer mecanismo de controle sobre a Resistência Microbiana em serviços de saúde; 4) aumentar o índice de conformidade do PNPCIRAS, segundo critérios da OMS.

Na nova versão do PNPCIRAS (2016 – 2020) foram consideradas as avaliações preliminares da versão anterior (PNPCIRAS 2013-2015) e discutidos vários temas pertinentes ao Programa, como a situação mundial e nacional das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) que são um grave problema de saúde pública, pois são eventos adversos com alta morbidade e mortalidade, que repercutem diretamente na qualidade do cuidado e na segurança do paciente.

As medidas para prevenção de IRAS devem ser adotadas em todos os estabelecimentos de assistência à saúde, quer no âmbito hospitalar, em estabelecimentos de cuidados de pacientes crônicos, ou na assistência domiciliar. Pesquisas apontam que, quando os estabelecimentos de assistência à saúde e suas equipes conhecem a magnitude do problema das infecções e passam a aderir aos programas para prevenção e controle de IRAS, pode ocorrer redução de até 70% de IRAS, como por exemplo, para as infecções da corrente sanguínea (CDC, 2016).

Um importante tema abordado no PNPCIRAS e de extrema relevância no contexto da vigilância e monitoramento das IRAS é a

resistência aos antimicrobianos, que vem sendo discutido em todo o mundo e constitui um dos mais sérios problemas de saúde da atualidade, uma vez que infecções causadas por bactérias resistentes a múltiplas classes de antimicrobianos tem se tornado cada vez mais comum. Desde 2001 a Organização Mundial da Saúde (OMS) chama a atenção para um problema mundial: a crescente resistência bacteriana aos antimicrobianos, especialmente para as infecções associadas aos cuidados à saúde. Uma Estratégia Global para Contenção da Resistência Antimicrobiana foi lançada como um desafio para as diversas instituições de saúde do mundo, tendo em vista as publicações científicas com números crescentes e alarmantes de infecções por bactérias resistentes a múltiplos antimicrobianos (MDR).

Em 2015 foi lançado pela OMS o Plano de Ação Global em Resistência Microbiana, tendo como objetivo geral assegurar a continuidade da capacidade de tratar e prevenir doenças infecciosas utilizando medicamentos eficazes, seguros e com qualidade comprovada, usados de forma responsável, e que sejam acessíveis a todos os que deles necessitam. Para alcançar esse objetivo, o Plano de Ação Global estabeleceu cinco objetivos estratégicos: 1) melhorar a consciência e a compreensão da resistência antimicrobiana; 2) fortalecer o conhecimento através da vigilância e investigação; 3) reduzir a incidência de infecção através de saneamento eficaz, higiene e medidas de prevenção de infecção; 4) otimizar a utilização de agentes antimicrobianos na saúde humana e animal; e 5) garantir o investimento sustentável em novos medicamentos, diagnósticos, vacinas e outras intervenções para as necessidades de todos os países (WHO, 2015; WHO, FAO, OIE 2016).

De acordo com a Diretriz Nacional para Elaboração de Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos em Serviços de Saúde, publicada pela ANVISA em dezembro de 2017, muitos antimicrobianos estão se tornando ineficazes, gerando uma série de consequências diretas e indiretas como, o prolongamento da doença, o aumento da taxa de mortalidade, a permanência prolongada no ambiente hospitalar e a ineficácia dos tratamentos preventivos que comprometem toda a população.

Confira o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde - quinquênio 2016 – 2020 no link: https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/pnpciras-2016-2020

Confira a Diretriz Nacional para Elaboração de Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos em Serviços de Saúde no link: https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/category/resistencia-microbiana