24 de junho - Dia Mundial de Prevenção de Quedas

Risco de queda é hoje grave problema de saúde. Data criada pela OMS foi incorporada pelo Ministério da Saúde para alertar sobretudo idosos.

Autor pessoal: 
Annalu Pinto da Silva;

A queda é um problema frequente em idosos. Ela pode acontecer devido a fatores relacionados ao estado de saúde da pessoa, entre eles, o uso de medicamentos, distúrbios de locomoção, falta de equilíbrio, fraqueza muscular e sedentarismo, bem como a dificuldades propiciadas pelo ambiente, entre elas, pisos escorregadios, encerados ou molhados, ausência de corrimão, assentos sanitários muito baixos, calçados inapropriados e tapetes soltos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), queda é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, com incapacidade de correção em tempo hábil.

Estudos apontam o alto índice de quedas em idosos. Segundo o artigo ‘Quedas em idosos no Sul do Brasil: prevalência e determinantes’, um em cada três idosos daquela região sofreu ao menos uma queda no ano de 2014. A maioria das quedas ocorreu na própria residência do idoso. Entre os idosos que sofreram queda, 51,5% tiveram uma única queda e 12,1% tiveram fratura como consequência, sendo a de membro inferior a mais relatada.

A prevalência de quedas foi maior em idosos com idade mais avançada e que não estavam trabalhando, mulheres, com menor renda, baixa escolaridade e incapacidade funcional para atividades instrumentais. Também houve maior ocorrência de quedas em portadores de diabetes, doença cardíaca, artrite e naqueles idosos que relataram ter sofrido AVC.

 

Risco maior de queda em hospitais

Segundo o Protocolo Integrante do Programa Nacional de Segurança do Paciente, a hospitalização aumenta o risco de queda, pois os pacientes se encontram em ambientes que não lhes são familiares. Muitas vezes, os pacientes são portadores de doenças que predispõem à queda (demência e osteoporose), e vários procedimentos terapêuticos, como as múltiplas prescrições de medicamentos, podem aumentar esse risco.


                                                                                                                                          Pixabay - CC0

O Protocolo alerta que de 30% a 50% das quedas provocam danos aos pacientes, sendo que de 6% a 44% desses danos são de natureza grave, como fraturas, hematomas subdurais e sangramentos, que podem levar ao óbito. Além disso, a queda pode gerar impacto negativo sobre a mobilidade dos pacientes, além de ansiedade, depressão e medo de cair de novo, o que acaba por aumentar o risco de nova queda.

Em hospitais de países desenvolvidos, a taxa de quedas varia entre 3 a 5 quedas em cada 1.000 pacientes por dia, segundo estudo publicado em 2010 no periódico Clinics in Geriatric Medicine. Os autores verificaram que as quedas não se distribuem uniformemente nos hospitais, sendo mais frequentes nas unidades com concentração de pacientes idosos, na neurologia e na reabilitação.

Priscila Rosseto de Toledo, enfermeira especializada em cardiologia e gestão da qualidade em saúde e Gerente Nacional de Qualidade e Segurança do ASM/UHG Brasil, grupo que gerencia o Hospital Samaritano de São Paulo, afirma que esse hospital trabalha desde 2010 com um time multiprofissional focado na prevenção de quedas, atuando para reduzir o risco de quedas e minimizar os danos que decorrem delas.

O hospital é pioneiro na validação transcultural da escala JHFrat. Essa é uma escala de avaliação do risco de queda desenvolvida no Hospital Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e que precisa ser comprada por outros hospitais, pois não está disponível gratuitamente. A validação transcultural corresponde ao uso de uma metodologia para traduzir a escala, com avaliação de sua correspondência fiel à versão original, levando em conta as diferenças culturais existentes entre o país onde ela foi desenvolvida e o país onde está sendo implementada. Segundo Priscila, essa é a escala mais específica para gradação do risco.

A Gerente destaca que o uso de escalas de avaliação de risco está alinhado à adoção de práticas baseadas em evidências como subsídio ao gerenciamento de quedas, com ênfase na prevenção do evento e na redução de seus danos.

Priscila ressalta ainda a importância do envolvimento multiprofissional no cuidado com os fatores de risco de queda. “O trabalho tem ganhado terreno nas avaliações de engenharia e arquitetura para disponibilidade de quartos e mobílias, nos combinados com o paciente para as idas ao banheiro, no uso de meias antiderrapantes por pacientes com dificuldade de marcha e, por fim, na educação para prevenção de quedas”, conclui Priscila.

O Hospital Samaritano SP é parceiro do Proqualis e responsável pela coordenação do conteúdo sobre prevenção de quedas da página de Experiências Brasileiras do Portal Proqualis. Para ter acesso às ferramentas, indicadores, literatura de interesse e demais conteúdos da página, como vídeos e aulas sobre prevenção de quedas, disponível no link: https://proqualis.net/noticias/uma-pr%C3%A1tica-de-preven%C3%A7%C3%A3o-de-quedas