A caminho do hospital? Um guia para pacientes, cuidadores e famílias

Autor pessoal: 
WARREN, O.; FRANKLIN, B.D.; VINCENT, C.;
Título original: 
Going into Hospital ? A guide for patients, carers, and families
Resumo: 

Introdução
Os hospitais são uma presença constante na vida de muitas pessoas. A maioria de nós começa a vida em um hospital, e quase todos seremos internados em algum momento. Nossos filhos poderão nascer ali, e é no hospital que muitos de nós morreremos. Somos constantemente bombardeados com informações, notícias e histórias sobre hospitais. Alguns dos filmes e séries de televisão mais populares se passam neles.

Apesar de tudo isso, quando chegamos ao hospital como pacientes, o ambiente é estranho, as pessoas falam numa linguagem que talvez não entendamos completamente e a rotina diária não é familiar. Ali vivemos experiências diferentes de todas que já vivemos antes. Deparamo-nos com costumes, tradições, hierarquias e códigos de vestimenta incomuns. Em muitos sentidos, ir ao hospital é como visitar outro país.

O hospital como terra estrangeira
Comparamos o hospital a uma terra estrangeira como forma de transmitir a sensação de perplexidade e confusão que muitas pessoas sentem quando são internadas. Os pacientes no hospital muitas vezes se sentem estranhamente vulneráveis e podem perder temporariamente boa parte de suas habilidades e assertividade. Isso vale até mesmo para nós, os autores; ainda nos sentimos nervosos e vulneráveis quando nos tornamos pacientes.

Os profissionais do hospital investigam a nossa doença e, no tempo que têm disponível, explicam os resultados dos exames, as escolhas que temos e as implicações, os riscos e os benefícios dos tratamentos disponíveis. Ainda que sejam gentis e tentem explicar tudo, nem sempre entendemos ou nos lembramos com quem falamos, ou o que disseram exatamente. Os profissionais geralmente não têm tempo para explicar o funcionamento de todo o sistema do hospital nem para dar informações de referência sobre a saúde e o cuidado de saúde, que nos ajudariam a tomar as melhores decisões para nós e para nossa família.

Por que decidimos escrever este livro
Ao visitarmos um país estrangeiro, geralmente compramos um guia que explica a sua língua, cultura e costumes, descrevendo os locais a visitar e as experiências que podemos viver ali. O guia nos ajuda a cuidar de nós mesmos, dá conselhos sobre como nos “mantermos seguros” e torna a nossa experiência mais compreensível. Este livro é o seu guia para a terra estrangeira do hospital. Apresenta informações claras e práticas sobre a sua jornada e os exames e tratamentos que poderá receber. Às vezes, utilizamos exemplos e histórias de pacientes para descrever como é vivenciado um aspecto particular do cuidado de saúde e para dar dicas importantes sobre o que os ajudou e às suas famílias.

Esperamos ajudar você a trabalhar com os médicos, enfermeiros e outros profissionais clínicos como um verdadeiro parceiro no seu cuidado. Esperamos tranquilizá-lo sobre o processo de estar em um hospital, embora sejamos claros sobre alguns dos riscos. Pessoas mais bem-informadas, que entendem conceitos como escolha, risco e benefício, podem trabalhar de forma mais eficaz com a equipe de saúde para tomar as decisões certas.

Além disso, você às vezes precisará entender a linguagem dos hospitais, que é cheia de termos estranhos, siglas (como RCP, ECG ou UTI) e palavras e expressões históricas. Às vezes, como paciente — um “estranho” naquele ambiente —, você pode sentir que esses termos existem para tornar a sua visita a mais confusa possível! Neste livro, tentamos evitá-los ao máximo, mas há alguns termos que necessariamente acabamos usando, pois você poderá ouvi-los durante a sua estadia no hospital. Explicamos o seu sentido à medida que surgem no livro, mas, se os médicos ou outros profissionais da saúde usarem qualquer palavra, frase ou sigla que você não entenda quando estiver no hospital, não hesite em perguntar o seu significado a um membro da equipe de saúde.

Pessoas, pacientes, parceiros, famílias, amigos e cuidadores
Utilizamos uma série de termos diferentes ao falar das pessoas que estão no hospital e das pessoas próximas a elas. Usamos o termo “paciente” quando precisamos ser absolutamente claros em relação a quem estamos nos referindo, mas, em outros casos, tentamos usar o termo “pessoa” sempre que possível. Fizemos um esforço para encontrar a melhor maneira de falar de todas as diferentes pessoas que podem lidar com o paciente e envolver-se em seu cuidado, que podem incluir familiares de diferentes tipos, parceiros, cuidadores, entes queridos e amigos. Percebemos que, quaisquer que sejam as palavras que utilizarmos, sempre correremos o risco de deixar alguém de fora, pois é simplesmente impossível incluir toda a variedade de relações pessoais e sociais. A maioria das pessoas tem amigos e parentes, mas nem todos contam com seu apoio em momentos de doença ou incapacidade.
Em alguns capítulos, descrevemos cenários nos quais as outras pessoas na nossa vida podem se envolver em decisões importantes, como nos casos em que é preciso tomar decisões, mas o paciente está inconsciente ou doente demais para participar. Em todos os casos, tentamos manter as referências a “família e amigos” da forma mais genérica possível, e não queremos dar a impressão de que temos qualquer pressuposto sobre o que constitui uma família típica. Em nossos muitos anos trabalhando no cuidado de saúde, vimos uma enorme variedade de vidas “familiares” e não presumimos que um modelo em particular se aplique a qualquer leitor específico. Portanto, sempre que falamos em parentes, amigos, parceiros ou cuidadores, o que queremos dizer é “as pessoas próximas que você decide envolver no seu cuidado” — quem quer que sejam.

O escopo deste livro
Este livro destina-se principalmente a pacientes adultos e suas famílias, amigos e cuidadores. Incluímos um capítulo sobre crianças no hospital, mas reconhecemos que provavelmente seria necessário um guia separado para crianças. Não cobrimos os serviços de maternidade (embora muitas informações sejam relevantes para qualquer mulher que precise de ajuda clínica ou cirúrgica durante a gravidez ou o trabalho de parto) nem o atendimento hospitalar para doenças mentais, que também precisaria de um guia separado, na nossa opinião. Os hospitais e outras organizações oferecem folhetos e sites dedicados a doenças e exames específicos. Estes recursos podem ser extremamente úteis, e recomendamos que você os examine. No entanto, este livro tem um propósito um tanto diferente, que é o de explicar como os hospitais funcionam em geral, independentemente da sua doença em particular, e como lidar com esse ambiente desconhecido. Não é possível cobrir todos os assuntos, da mesma forma que nenhum guia de viagem poderia incluir todos os restaurantes, hotéis e atrações.

O guia é mais relevante para os hospitais do National Health Service (NHS) do Reino Unido, que abrange a Inglaterra, o País de Gales, a Escócia e a Irlanda do Norte (embora os sistemas de cada um deles sejam ligeiramente diferentes). No entanto, muitas das informações clínicas são bastante genéricas e devem ser igualmente relevantes para pessoas em hospitais privados ou tratadas em outros países.

Como usar este livro
Você talvez esteja lendo este livro pois está prestes a ir ao hospital para fazer um exame ou tratamento planejado. Talvez tenha uma doença crônica que ocasionalmente requer tratamento hospitalar. Talvez tenha um parente ou amigo que foi recentemente internado no hospital. Em todos os casos, você pode abordar o livro da mesma forma — lendo as seções mais relevantes para você. Estruturamos o livro de forma que, assim como num guia de viagem, você possa ler algumas informações gerais sobre o contexto e, em seguida, passar para as seções mais relevantes ou que mais lhe interessam.

Acreditamos que a maior parte dos capítulos 1 a 6 são relevantes para todos, pois oferecem algumas informações básicas sobre a experiência de ser um paciente e a forma como os hospitais funcionam. Os capítulos 7 a 9 ajudam a entender quem são os profissionais e o que fazem, e também apresentam as principais áreas do hospital. Em seguida, nos capítulos 10 a 17, escolha os que sejam relevantes para você. Por exemplo, só vale a pena ler sobre endoscopia se você realmente tiver que fazê-la! Sugerimos que todos leiam os capítulos 18 a 22, pois é importante que você faça tudo o que puder para se manter seguro e bem no hospital. Você se recuperará mais rápido se continuar ativo tanto quanto possível, mantiver contato com a família e os amigos e, de modo geral, tentar seguir com a sua vida normal na medida do possível. Os capítulos 23 a 25 cobrem alguns tópicos específicos que só são relevantes para certos grupos de pessoas; por fim, o Capítulo 26 discute a saída do hospital após uma internação.

Esperamos que o guia seja útil e facilite a sua jornada pelo hospital.

ISBN: 
978-0-9933122-0-5
Data de publicação: 
2015
Páginas: 
313
Idioma do conteúdo: 
Editora: 
Eastdown Publishing