Validade e relevância clínica do indicador “punção ou laceração acidental” para avaliar a segurança de pacientes pediátricos

SHORT, H. L. ; HEISS, K. F. ; WULKAN, M. L. ; RAVAL, M. V.
Título original:
Clinical validity and relevance of accidental puncture or laceration as a patient safety indicator for children
Resumo:

Objetivo: O indicador “punção ou laceração acidental” (PLA) foi aprovado para a avaliação da segurança do paciente e está sendo usado para comparar o desempenho hospitalar e para reembolsos. Procuramos determinar o valor preditivo positivo (VPP) do indicador PLA como uma medida de qualidade em uma população pediátrica.

Métodos: Fizemos uma revisão retrospectiva de todos os casos que cumpriram os critérios administrativos para PLA ao longo de 5 anos em um sistema hospitalar pediátrico quaternário. Cada evento foi classificado como falso positivo (FP) ou verdadeiro positivo (VP). Os casos VP foram divididos entre aqueles “com possíveis consequências” ou “sem consequências”. Calculamos o VPP do indicador PLA, sendo realizado um teste z para estabelecer intervalos de confiança de 95%.

Resultados: Dos 238 casos identificados, 204 foram classificados como VP (86%, IC 95%: 80%-90%). Ao todo, 34 desses eventos (17%) envolveram lesões que foram consideradas “sem consequências”. Os eventos verdadeiros que exigiram medidas corretivas foram classificados como “com possíveis consequências” (n=170). Portanto, o VPP do indicador LPA foi de 71% (IC 95%: 65%-77%). Circunstâncias atenuantes, como doença adesiva ou anatomia anormal, estavam presentes em 39% dos casos VP. Um total de 34 casos (14%) foi classificado como FP porque não foi encontrada nenhuma lesão documentada.

Conclusões:Uma grande proporção de eventos de LPA é falsa ou clinicamente irrelevante, o que põe em dúvida a sua utilidade como um indicador de segurança do paciente para crianças submetidas a cirurgia.Tipo de estudo:Revisão retrospectiva.Nível de evidência:IV.

Resumo Original:

Purpose: Accidental puncture or laceration (APL) has been endorsed as a patient safety indicator and is being used to compare hospital performance and for reimbursement. We sought to determine the positive predictive value (PPV) of APL as a quality metric in a pediatric population.

Methods: We retrospectively reviewed all cases that met APL administrative criteria over 5years in a quaternary pediatric hospital system. Events were categorized as false positive (FP) or true positive (TP). TP cases were further categorized as "potentially consequential" or "inconsequential". The PPV of APL was calculated, and a z-test was used to provide 95% confidence intervals.

Results: Of the 238 cases identified, 204 were categorized as TP (86%; 95% CI: 80%-90%). Thirty-four of these events (17%) involved injuries that were considered "inconsequential". True events that required repair were identified as "potentially consequential" (n=170). Thus, the PPV of APL was 71% (95% CI: 65%-77%). Extenuating factors such as adhesive disease or abnormal anatomy were present in 39% of TP cases. Thirty-four cases (14%) were categorized as FP because no documented injury was found.

Conclusions: A large proportion of APL events are either false or clinically irrelevant, thus questioning its usability as a patient safety indicator for children undergoing surgery.

Type of study: Retrospective review.

Level of evidence: IV.

Fonte:
J. Pediatr. Surg. ; 52(1): 172-176; 2017. DOI: 10.1016/j.jpedsurg.2016.10.043.