Um estudo de campo da Organização Mundial da Saúde para avaliar um referencial para a CID-11 destinado a classificar eventos de segurança do paciente

FORSTER, A. J. ; BERNARD, B. ; DROSLER, S. E. ; GUREVICH, Y. ; HARRISON, J. ; JANUEL, J. M. ; ROMANO, P. S.
Título original:
A World Health Organization field trial assessing a proposed ICD-11 framework for classifying patient safety events
Resumo:

Objetivo: Avaliar a utilidade do referencial proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Classificação Internacional de Doenças com a finalidade de classificar eventos de segurança do paciente.

Ambiente: Classificação independente de 45 vinhetas clínicas usando uma plataforma on-line.

Participantes: O Grupo Consultivo Multidisciplinar para Qualidade e Segurança da OMS.

Desfechos principais: O referencial é formado por três conceitos: danos, causas e modos. Definimos um conceito como “classificável” se mais da metade dos avaliadores puder atribuir um código CID-11 para o caso. Avaliamos as razões pelas quais os casos foram inclassificáveis usando uma abordagem qualitativa.

Resultados: Os danos foram classificáveis em 31 dos 45 casos (69%). Destes, só 20 puderam ser classificados de acordo com as causas e os modos. Os casos classificáveis foram aqueles nos quais existia uma relação clara de causa e efeito (por exemplo, erro na administração de medicamentos). Os casos inclassificáveis foram aqueles sem nexo causal claro (por exemplo, úlceras por pressão). Dos 14 casos em que os danos não foram evidentes (31%), apenas cinco puderam ser classificados de acordo com as causas e os modos e representaram possíveis eventos adversos. Ao todo, nove casos (20%) foram inclassificáveis usando o referencial de segurança do paciente em três partes e continham ambiguidades significativas na relação entre o resultado de saúde e a causa suposta.

Conclusões: O referencial proposto permitiu classificar a maioria dos eventos de segurança do paciente. Os casos em que eventos potencialmente danosos não causaram danos foram inclassificáveis; uma proposta para lidar com esta preocupação é incluir categorias adicionais de códigos na CID-11. Os casos nos quais existe ambiguidade na relação de causa e efeito entre os processos e os resultados dos cuidados de saúde continuam a ser difíceis de classificar. © O autor, 2017. Publicado pela Oxford University Press em associação com a International Society for Quality in Health Care

Resumo Original:

Objective: To assess the utility of the proposed World Health Organization (WHO)'s International Classification of Disease (ICD) framework for classifying patient safety events.

Setting: Independent classification of 45 clinical vignettes using a web-based platform.

Study participants: The WHO's multi-disciplinary Quality and Safety Topic Advisory Group.

Main outcome measure(s): The framework consists of three concepts: harm, cause and mode. We defined a concept as 'classifiable' if more than half of the raters could assign an ICD-11 code for the case. We evaluated reasons why cases were nonclassifiable using a qualitative approach.

Results: Harm was classifiable in 31 of 45 cases (69%). Of these, only 20 could be classified according to cause and mode. Classifiable cases were those in which a clear cause and effect relationship existed (e.g. medication administration error). Nonclassifiable cases were those without clear causal attribution (e.g. pressure ulcer). Of the 14 cases in which harm was not evident (31%), only 5 could be classified according to cause and mode and represented potential adverse events. Overall, nine cases (20%) were nonclassifiable using the three-part patient safety framework and contained significant ambiguity in the relationship between healthcare outcome and putative cause.

Conclusions: The proposed framework enabled classification of the majority of patient safety events. Cases in which potentially harmful events did not cause harm were not classifiable; additional code categories within the ICD-11 are one proposal to address this concern. Cases with ambiguity in cause and effect relationship between healthcare processes and outcomes remain difficult to classify.

Fonte:
Int J Qual Health Care ; 29(4): 548-556; 2017. DOI: 10.1093/intqhc/mzx070.