Tendências globais de incidência e mortalidade devido aos efeitos adversos do cuidado de saúde, 1990-2017: uma análise sistemática a partir do estudo da carga global de doenças, lesões e fatores de risco

Javaid Nauman ; Elpidoforos S. Soteriades ; Muhammad Jawad Hashim ; Romona Govender ; Reem Saif Al Darmaki ; Reem Juma Al Falasi ; Shreesh Kumar Ojha
Título original:
Global Incidence and Mortality Trends due to Adverse Effects of Medical Treatment, 1990-2017: A Systematic Analysis from the Global Burden of Diseases, Injuries and Risk Factors Study
Resumo:

Objetivo. Quantificar a incidência global e a mortalidade dos efeitos adversos do cuidado de saúde (EACS) e prever as suas possíveis tendências emergentes. Materiais e métodos. Analisamos os últimos dados do estudo Global Burden of Disease (GBD) de 2017. Descrevemos a carga de doença dos EACS com base nas taxas de incidência e mortalidade por idade e região entre 1990 e 2017. Além disso, avaliamos mudanças na carga de doença por EACS em diferentes períodos entre 1990 e 2017 e comparamos as taxas de incidência e mortalidade padronizadas por idade entre diferentes regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS). Resultados. Globalmente, as taxas de incidência de EACS variaram entre as regiões e países da OMS. As taxas médias de incidência de EACS padronizadas por idade foram estimadas em 309 (intervalo de confiança [IC] de 95%, 270 a 351), 340 (298 a 384), 401 (348 a 458) e 439 (376 a 505) por 100.000 habitantes no mundo em 1990, 2000, 2010 e 2017, respectivamente, mostrando uma tendência crescente na ocorrência de eventos adversos. A taxa de incidência em mulheres (469/100.000) foi maior que em homens (409/100.000) em 2017. Entre 1990 e 2017, observamos uma tendência crescente nas taxas de incidência de EACS em todas as regiões do planeta, com um aumento substancial da incidência, de 42% (27 a 57), entre 1990 e 2017, o que representa um aumento anualizado de 1,5%. Na faixa etária de 60 a 64 anos, as taxas de incidência aumentaram 96% em 2017 em relação a 1990. Prevê-se que a taxa de incidência global de EACS deverá aumentar para 446,94 (433,65 a 460,22) em 2020, 478,49 (376,88 a 580,09) em 2030 e chegar a 510,03 (276,58 a 743,49) por 100.000 em 2040. Observamos uma redução nas taxas de mortalidade devido a EACS em todas as regiões do mundo, com uma variação anualizada na taxa de mortalidade de -0,90% entre 1990 e 2017. Em geral, a taxa de mortalidade por EACS foi maior em homens (1,73/100.000) que em mulheres (1,48/100.000), e as taxas de mortalidade por idade apresentaram um aumento bimodal na faixa etária de 0 a 1 ano, e um aumento na faixa etária de 65 anos ou mais. Prevê-se que a taxa de mortalidade global por EACS chegue a 1,55 (1,48 a 1,61) em 2020, 1,37 (0,88 a 1,86) em 2030 e 1,2 por 100.000 (0,08 a 2,32) em 2040. Conclusão. Usando dados do estudo GBD de 2017, identificamos um aumento na incidência de EACS e uma diminuição geral na taxa de mortalidade entre 1990 e 2017; as estimativas variaram entre diferentes países e regiões, por sexo e por faixa etária. A análise preditiva apresentou as mesmas tendências – um aumento na incidência de EACS e uma redução na sua mortalidade entre 2020 e 2040. A alta carga de EACS requer a implementação de políticas robustas para o sistema de saúde, incluindo o treinamento apropriado em segurança do paciente para profissionais da saúde e uma cultura de feedback da segurança, com a implementação de prontuários médicos eletrônicos, para alcançar as metas da estratégia de segurança do paciente da OMS.

Resumo Original:

Aim To quantify the global incidence and mortality of adverse effects of medical treatment (AEMT) and forecast the possible emerging trends of AEMT. Materials and methods We analyzed the latest data from the Global Burden of Disease (GBD) 2017 study. We describe the burden of AEMT based on age- and region-specific incidence and mortality rates between 1990 and 2017. Additionally, we evaluated the change of burden due to AEMT by different periods between 1990 and 2017, and compared the age-standardized incidence and mortality rates among different World Health Organization (WHO) regions. Results Globally, AEMT incidence rates varied across WHO regions and countries. The estimated age-standardized average incidence rates of AEMT were 309 [95% uncertainty interval (UI), 270 to 351], 340 (298 to 384), 401 (348 to 458), and 439 (376 to 505) per 100,000 population across the world in 1990, 2000, 2010, and 2017, respectively, showing an increasing trend in the new occurrence of adverse events. The incidence rate among women (469/100,000) was higher compared to men (409/100,000) in 2017. Between 1990 and 2017, we observed an upward trend in the incidence rates of AEMT across global regions, with a substantial increase in the incidence by 42% (27 to 57) between the years 1990 and 2017, translated to an annualized rate of incline of 1.5%. In the age group of 60-64 years, the incidence rates increased by 96% in 2017 compared to 1990. The global incidence rate due to AEMT is forecasted to increase to 446.94 (433.65 to 460.22) by 2020, 478.49 (376.88 to 580.09) in 2030, and to reach 510.03 (276.58 to 743.49) per 100,000 by 2040. We observed a decline in mortality rates due to AEMT across global regions, and the annualized rate of mortality change was -0.90 percentage points between 1990 and 2017. Overall, the AEMT mortality rate was higher in men (1.73/100,000) than in women (1.48/100,000), and age-specific mortality rates showed a bimodal increase between the age group of birth to one year, and an increase in the age group of 65 years and above. The global mortality rate due to AEMT is expected to be 1.55 (1.48 to 1.61) in 2020, 1.37 (0.88 to 1.86 ) in 2030 and 1.2 deaths per 100,000 (0.08 to 2.32) by 2040. Conclusion Using the GBD 2017 study data, we found an increase in the incidence of AEMT, and an overall decrease in the mortality rate between 1990 and 2017, with varying estimates between different countries and regions, gender and age groups. The forecast analysis displayed the same trends - an increase in AEMT incidence and a decline in mortality between 2020 and 2040. The high burden of AEMT warrants the implementation of robust policies in the healthcare system including appropriate patient safety training for the healthcare professionals, and safe culture of feedback with the implementation of electronic medical records to achieve WHO patient safety strategy goals.

Fonte:
; 12(3): 2020. DOI: 10.7759/cureus.7265.