Segurança do paciente após a implementação de um programa de comunicação coproduzido centrado na família: estudo multicêntrico do tipo pré/pós-intervenção

Khan, A. ; Spector, N. D. ; Baird, J. D. ; Ashland, M. ; Starmer, A. J. ; Rosenbluth, G. ; Garcia, B. M.
Título original:
Patient safety after implementation of a coproduced family centered communication programme: Multicenter before and after intervention study
Resumo:

Objetivo: Determinar se os erros no cuidado de saúde, as experiências dos familiares e os processos de comunicação melhoraram após a implementação de uma intervenção para padronizar a estrutura da comunicação entre profissionais da saúde e familiares durante rondas centradas na família. Desenho: Estudo prospectivo multicêntrico do tipo pré/pós-intervenção. Ambiente: Unidades hospitalares pediátricas em sete hospitais da América do Norte, de 17 de dezembro de 2014 a 3 de janeiro de 2017. Participantes: Todos os pacientes internados nas unidades estudadas (3.106 internações, 13.171 pacientes-dias); 2.148 pais ou cuidadores, 435 enfermeiros, 203 estudantes de Medicina e 586 residentes. Intervenção: Famílias, enfermeiros e médicos coproduziram uma intervenção para padronizar a comunicação entre profissionais da saúde e familiares durante as rondas nas enfermarias (“rondas centradas na família”), que incluiu a comunicação estruturada e de alta confiabilidade nas rondas à beira do leito, enfatizando a educação em saúde, o envolvimento dos familiares e a comunicação bidirecional; outras intervenções incluíram resumos estruturados das rondas escritos em tempo real, um programa de treinamento formal para profissionais da saúde e estratégias para promover o trabalho em equipe, a implementação e a melhoria dos processos. Desfechos principais: Erros no cuidado de saúde (desfecho primário), incluindo erros que provocaram danos (eventos adversos evitáveis) e erros sem danos, modelados usando a regressão de Poisson e equações de estimativa generalizadas agrupadas por unidade; experiências dos familiares; e processos de comunicação (por exemplo, envolvimento dos familiares nas rondas). Os erros foram medidos através de uma metodologia de vigilância sistemática que incluiu a notificação de problemas de segurança pelos familiares. Resultados: A taxa global de erros no cuidado de saúde (por 1.000 pacientes-dias) permaneceu inalterada (41,2; [IC 95%, 31,2 a 54,5] antes da intervenção vs. 35,8 [26,9 a 47,7] após a intervenção, p=0,21), mas os erros que provocaram danos (eventos adversos evitáveis) diminuíram em 37,9% (20,7 [15,3 a 28,1] vs. 12,9 [8,9 a 18,6], p=0,01). Os eventos adversos não evitáveis também diminuíram (12,6 [8,9 a 17,9] vs. 5,2 [3,1 a 8,8], p=0,003). Em seis dos 25 componentes da avaliação das experiências dos familiares foi observado um aumento no número de avaliações com pontuação máxima (p.ex., “excelente”); não foram observadas reduções em nenhum dos itens. A frequência de rondas centradas na família aumentou (72,2% [53,5% a 85,4%] vs. 82,8% [64,9% a 92,6%], p=0,02). Também houve melhorias no envolvimento dos familiares (55,6% [32,9% a 76,2%] vs. 66,7% [43,0% a 84,1%], p=0,04) e no envolvimento dos enfermeiros (20,4% [7,0% a 46,6%] vs. 35,5% [17,0% a 59,6%], p=0,03) durante as rondas. Houve um aumento na proporção de famílias que expressaram suas preocupações no início das rondas (18,2% [5,6% a 45,3%] vs. 37,7% [17,6% a 63,3%], p=0,03) e que leram os planos (4,7% [0,7% a 25,2%] vs. 26,5% [12,7% a 7,3%], p=0,02). A educação dos profissionais em formação e a duração das rondas não mudaram significativamente. Conclusões: Embora a taxa global de erros tenha permanecido inalterada, houve uma diminuição na ocorrência de erros que provocaram danos, e as experiências dos familiares e os processos de comunicação melhoraram após a implementação de uma intervenção de comunicação estruturada para rondas centradas na família coproduzidas por familiares, enfermeiros e médicos. Os processos de cuidado centrados na família podem melhorar a segurança e a qualidade do cuidado sem afetar negativamente o ensino ou a duração das rondas. 
 

Resumo Original:

Objective To determine whether medical errors, family experience, and communication processes improved after implementation of an intervention to standardize the structure of healthcare provider-family communication on family centered rounds. Design Prospective, multicenter before and after intervention study. Setting Pediatric inpatient units in seven North American hospitals, 17 December 2014 to 3 January 2017. Participants All patients admitted to study units (3106 admissions, 13171 patient days); 2148 parents or caregivers, 435 nurses, 203 medical students, and 586 residents. Intervention Families, nurses, and physicians coproduced an intervention to standardize healthcare provider-family communication on ward rounds ("family centered rounds"), which included structured, high reliability communication on bedside rounds emphasizing health literacy, family engagement, and bidirectional communication; structured, written real-time summaries of rounds; a formal training programme for healthcare providers; and strategies to support teamwork, implementation, and process improvement. Main outcome measures Medical errors (primary outcome), including harmful errors (preventable adverse events) and non-harmful errors, modeled using Poisson regression and generalized estimating equations clustered by site; family experience; and communication processes (eg, family engagement on rounds). Errors were measured via an established systematic surveillance methodology including family safety reporting. Results The overall rate of medical errors (per 1000 patient days) was unchanged (41.2 (95% confidence interval 31.2 to 54.5) pre-intervention v 35.8 (26.9 to 47.7) post-intervention, P=0.21), but harmful errors (preventable adverse events) decreased by 37.9% (20.7 (15.3 to 28.1) v 12.9 (8.9 to 18.6), P=0.01) post-intervention. Non-preventable adverse events also decreased (12.6 (8.9 to 17.9) v 5.2 (3.1 to 8.8), P=0.003). Top box (eg, "excellent") ratings for six of 25 components of family reported experience improved; none worsened. Family centered rounds occurred more frequently (72.2% (53.5% to 85.4%) v 82.8% (64.9% to 92.6%), P=0.02). Family engagement 55.6% (32.9% to 76.2%) v 66.7% (43.0% to 84.1%), P=0.04) and nurse engagement (20.4% (7.0% to 46.6%) v 35.5% (17.0% to 59.6%), P=0.03) on rounds improved. Families expressing concerns at the start of rounds (18.2% (5.6% to 45.3%) v 37.7% (17.6% to 63.3%), P=0.03) and reading back plans (4.7% (0.7% to 25.2%) v 26.5% (12.7% to 7.3%), P=0.02) increased. Trainee teaching and the duration of rounds did not change significantly. Conclusions Although overall errors were unchanged, harmful medical errors decreased and family experience and communication processes improved after implementation of a structured communication intervention for family centered rounds coproduced by families, nurses, and physicians. Family centered care processes may improve safety and quality of care without negatively impacting teaching or duration of rounds. 

Fonte:
BMJ Open ; 2018. DOI: doi.org/10.1136/bmj.k4764.