Respondendo aos profissionais que não aderem às práticas de segurança do paciente: percepções de médicos, enfermeiros, estagiários e pacientes

DRIVER, T. H. ; KATZ, P. P. ; TRUPIN, L. ; WACHTER, R. M.
Título original:
Responding to clinicians who fail to follow patient safety practices: perceptions of physicians, nurses, trainees, and patients
Resumo:

Contexto: A área da segurança do paciente enfrenta a tensão entre uma abordagem sistêmica, "sem culpabilidade", e a necessidade de responsabilizar os prestadores por um desempenho precário. Não há estudos que descrevam as atitudes dos profissionais de saúde e dos pacientes em relação aos métodos para promover a adesão às práticas de segurança do paciente.

Métodos: Entrevistamos médicos e residentes do Department of Medicine da University of California, em São Francisco (UCSF), enfermeiros e pacientes internados do UCSF Medical Center e estudantes de medicina da UCSF, avaliando suas atitudes em relação à violação de três protocolos de segurança: higienização das mãos, avaliação do risco de quedas e pausa pré-operatória.

Resultados: As respostas às violações de protocolos foram agrupadas em três categorias: retroalimentação (que teve apoio universal, sendo, portanto, excluída da análise), notificação pública e sanções (multas, suspensão, demissão). Examinamos as diferenças de opinião entre os grupos sobre o uso da notificação pública e das sanções e sobre o número de transgressões que deveriam ser notificadas ou sofrer sanções. Um maior número de participantes apoiou a notificação pública e as sanções nos casos de não-adesão à pausa pré-operatória e à avaliação do risco de quedas do que nos lapsos de higienização das mãos (notificação pública: pausa, odds ratio [OR]: 2,82 [intervalo de confiança {IC} de 95%: 2,03-3,91]; quedas, OR: 1,47 [IC 95%: 1,09-1,98]. Sanções: pausa, [OR]: 4,29 [IC 95%: 2,97-6,20]; quedas, OR: 1,74 [IC 95%: 1,27-2,37]). As sanções foram apoiadas com mais frequência que a notificação pública em todos os grupos e situações. Médicos e pacientes expressaram atitudes semelhantes em relação à notificação pública e às sanções, mas os pacientes apoiaram o uso de sanções após um número de transgressões significativamente mais baixo (p < 0,05).

Conclusão: Depois de uma década enfatizando as respostas "sem culpabilidade" aos riscos de segurança do paciente, tanto profissionais de saúde como pacientes acreditam agora que os prestadores do cuidado de saúde devem ser responsabilizados caso não sigam protocolos básicos de segurança.

Resumo Original:

Background: The field of patient safety grapples with the tension between a "no-blame" systems approach and the need to hold providers accountable for substandard performance. Attitudes of clinicians and patients regarding methods of promoting adherence to safety practices have not been described.

Methods: We surveyed attending and resident physicians in the University of California, San Francisco (UCSF) Department of Medicine, nurses and inpatients at the UCSF Medical Center, and UCSF medical students regarding attitudes toward violations of 3 safety protocols: hand hygiene, fall risk assessment, and preoperative time-out.

Results: Responses to protocol lapses were grouped into 3 categories: feedback (universally endorsed and thus excluded from the analysis), public reporting, and penalty (fines, suspension, firing). We examined group differences regarding whether public reporting and penalties were ever appropriate and the number of transgressions at which public reporting and penalties were favored. Respondents favored both public reporting and penalties more frequently for not conducting a preoperative time-out or fall risk assessment than for hand-hygiene lapses (public reporting: time-out, odds ratio [OR]: 2.82 [95% confidence interval {CI}: 2.03-3.91]; fall, OR: 1.47 [95% CI: 1.09-1.98]. Penalty: time-out, OR: 4.29 [95% CI: 2.97-6.20]; fall, OR: 1.74 [95% CI: 1.27-2.37]). Penalties were endorsed more frequently than public reporting for all groups and scenarios. Attending physicians and patients expressed similar attitudes regarding public reporting and penalties, but patients favored penalties after significantly fewer transgressions (P?<?0.05).

Conclusion: After a decade emphasizing no-blame responses to patient safety hazards, both healthcare providers and patients now believe clinicians should be held accountable for following basic safety protocols.

Fonte:
J Hosp Med ; 9(2): 99-105; 2014. DOI: 10.1002/jhm.2136.