Pedidos de desculpas e danos inesperados na saúde global

David G. Addiss ; Joseph J. Amon
Título original:
Apology and Unintended Harm in Global Health
Resumo:

Nas últimas décadas, investimentos em programas de saúde global têm contribuído para enormes avanços na saúde das populações humanas. No entanto, tal como ocorre com a medicina clínica, as intervenções de saúde global por vezes resultam em danos inesperados, problemas econômicos ou perturbações sociais. Na medicina clínica, quando ocorrem erros no cuidado de saúde, é cada vez mais comum que os profissionais de saúde façam um pedido de desculpas, o que envolve reconhecer o erro, assumir a responsabilidade e expressar arrependimento genuíno. Além disso, os hospitais estão começando a oferecer aos pacientes afetados e às suas famílias medidas de reparação ou compensação, numa tentativa de restabelecer a saúde do paciente e reparar a relação, além de tomarem medidas para evitar danos semelhantes no futuro. Por outro lado, sabe-se pouco sobre os pedidos de desculpas e medidas de reparação de danos nas práticas de saúde global. Vários fatores, incluindo a escala dos programas de saúde global, a responsabilidade difusa entre as redes internacionais de atores estatais e não estatais e a preocupação de que o reconhecimento dos danos possa ameaçar programas de saúde que, de modo geral, são bem-sucedidos, fazem com que os pedidos de desculpas e as medidas de reparação sejam mais difíceis na saúde global que na medicina clínica. Este artigo examina como e quando as pessoas e organizações de saúde global lidam com danos inadvertidos, o que é ilustrado por quatro estudos de caso. Também são discutidos os princípios éticos, legais e de direitos humanos que poderiam servir como base para uma abordagem mais sistemática. Para lidar com a questão dos danos inadvertidos na saúde global, é necessária mais atenção aos níveis individual, organizacional e global.

Resumo Original:

Over the past few decades, investments in global health programs have contributed to massive advances in health for human populations. As with clinical medicine, however, global health interventions sometimes result in unintended harm, economic adversity, or social disruption. In clinical medicine, when medical error occurs, it is increasingly common for health care workers to offer apology, which involves acknowledging the error, taking responsibility for it, and expressing genuine remorse. In addition, hospitals are beginning to offer affected patients and their families reparation or compensation in an attempt to restore patients' health and repair relationships, as well as take steps to prevent similar harm in the future. By contrast, little is known about apology and reparation for unintentional harm in global health practice. Several factors, including the scale of global health programs, diffusion of responsibility across international networks of state and non-state actors, and concern that acknowledging harm could threaten otherwise successful health programs, render apology and reparation in global health more difficult than in clinical medicine. This article examines how and when individuals and global health organizations address inadvertent harm, illustrated by four case studies. It also describes ethical, legal, and human rights principles that could inform a more systematic approach. Addressing unintended harm in global health requires further attention at the individual, organizational, and global levels.


 

Fonte:
; 21(1): 19–32; 2019.