Participação do paciente na passagem de caso à beira do leito por enfermeiros: uma revisão sistemática de métodos mistos

TOBIANO, G. ; BUCKNALL, T. ; SLADDIN, I. ; WHITTY, J. A. ; CHABOYER, W.
Título original:
Patient participation in nursing bedside handover: A systematic mixed-methods review
Resumo:

Contexto: Já foram realizadas muitas revisões sobre a passagem de casos por enfermeiros, mas nenhuma delas se concentrou no papel dos pacientes.

Objetivos: Explorar a forma como pode ser implementada a participação do paciente na passagem de caso à beira do leito por enfermeiros entre diferentes turnos de trabalho.

Desenho: Revisão sistemática de métodos mistos.

Fontes de dados: Utilizamos três estratégias de pesquisa em julho e agosto de 2016: pesquisa em bases de dados, pesquisa retrógrada de citações e pesquisa anterógrada de citações. Para serem incluídos, os artigos deveriam ser projetos de pesquisa ou de melhoria de qualidade (MQ) centrados no papel do paciente. Ao todo, foram incluídos 54 artigos, incluindo 21 estudos e 25 projetos de MQ.

Métodos de revisão: Dois revisores realizaram sistematicamente a triagem de artigos, a extração de dados e a avaliação da qualidade. Os estudos de pesquisa e projetos de MQ foram sintetizados separadamente usando a síntese temática, cujos resultados foram então combinados usando uma tabela de síntese de métodos mistos.

Resultados: A síntese segregada da pesquisa sobre as percepções dos pacientes revelou duas categorias contrastantes: a passagem de casos centrada no paciente e a passagem centrada nos enfermeiros. A síntese segregada da pesquisa sobre as percepções dos enfermeiros incluiu três categorias: ver o paciente como uma fonte de informações, lidar com informações confidenciais e delicadas, e possibilitar a participação do paciente. A síntese segregada de projetos de MQ incluiu duas categorias: obstáculos para a participação do paciente na passagem de caso à beira do leito por enfermeiros e o envolvimento do paciente na passagem de caso. Uma vez configurados os resultados segregados, constatamos que o papel do paciente na passagem de caso inclui a transmissão de informações clínicas relacionadas ao seu cuidado ou evolução, o que pode influenciar a segurança do paciente. As barreiras estiveram relacionadas às preocupações dos enfermeiros quanto às consequências de encorajar a participação dos pacientes, ao compartilhamento de informações confidenciais e delicadas e à hesitação em modificar os seus métodos de passagem de casos. A forma como os enfermeiros abordam os pacientes e o grau de centralidade do paciente no cuidado que prestam são outras barreiras em potencial. As estratégias para melhorar a participação dos pacientes na passagem de casos incluem oferecer treinamento aos enfermeiros, tornar as passagens de casos previsíveis para os pacientes e envolver os pacientes e enfermeiros ao longo do processo de mudança.

Conclusões: O uso de projetos de pesquisa e de MQ gerou resultados complementares e permitiu identificar lacunas entre os conhecimentos heurísticos e de pesquisa. A nossa revisão mostrou a tensão que existe entre a padronização das passagens de casos e a necessidade de permitir a participação do paciente, promovendo passagens de casos personalizadas e flexíveis. São necessários novos estudos sobre esta questão para identificar a melhor forma de treinar os enfermeiros e compreender as opiniões dos pacientes. Muitas das barreiras e estratégias identificadas foram oriundas de projetos de MQ e da perspectiva dos enfermeiros; portanto, é necessário ter cautela na interpretação dos resultados. Recomendamos que sejam tomadas medidas no futuro para promover projetos de MQ de alta qualidade.

Resumo Original:

Background: Numerous reviews of nursing handover have been undertaken, but none have focused on the patients' role.

Objectives: To explore how patient participation in nursing shift-to-shift bedside handover can be enacted.

Design: Systematic mixed- methods review.

Data sources: Three search strategies were undertaken in July-August 2016: database searching, backwards citation searching and forward citation searching. To be included, papers had to either be research or quality improvement (QI) projects focusing on the patient role. Fifty-four articles were retrieved, including 21 studies and 25 QI projects.

Review methods: Screening, data extraction and quality appraisal was undertaken systematically by two reviewers. Research studies and QI projects were synthesised separately using thematic synthesis, then the results of this synthesis were combined using a mixed-method synthesis table.

Results: Segregated synthesis of research of patients' perceptions revealed two contrasting categories; patient-centred handover and nurse-centred handover. Segregated synthesis of research of nurses' perceptions included three categories: viewing the patient as an information resource; dealing with confidential and sensitive information; and enabling patient participation. The segregated synthesis of QI projects included two categories: nurse barrier to enacting patient participation in bedside handover; and involving patients in beside handover. Once segregated findings were configured, we discovered that the patient's role in bedside handover involves contributing clinical information related to their care or progress, which may influence patient safety. Barriers related to nurses' concerns for the consequences of encouraging patient participation, worries for sharing confidential and sensitive information and feeling hesitant in changing their handover methods. The way nurses approach patients, and how patient-centred they are, constitute further potential barriers. Strategies to improve patient participation in handover include training nurses, making handovers predictable for patients and involving both patients and nurses throughout the change process.

Conclusions: Using research and QI projects allowed diverse findings to expand each other and identify gaps between research and heuristic knowledge. Our review showed the tension between standardising handovers and making them predictable for patient participation, while promoting tailored and flexible handovers. Further investigation of this issue is required, to understand how to train nurses and patient views. Many barriers and strategies identified were from QI projects and the nurse perspective, thus caution interpreting results is required. We recommend steps be taken in the future to ensure high quality QI projects.

Fonte:
Int J Nurs Stud ; 77: 243-258; 2018. DOI: 10.1016/j.ijnurstu.2017.10.014.