Pacientes e suas famílias como professores: uma avaliação de métodos mistos sobre um modelo de aprendizagem colaborativa para a abertura de informação e prevenção de erros no cuidado de saúde

LANGER, T. ; MARTINEZ, W. ; BROWNING, D. M. ; VARRIN, P. ; SARNOFF- LEE, B. S. ; BELL, S. K.
Título original:
Patients and families as teachers: a mixed methods assessment of a collaborative learning model for medical error disclosure and prevention
Resumo:

Contexto: Apesar do crescente interesse no envolvimento dos pacientes e suas famílias (P/F) na educação em segurança do paciente, sabe-se pouco sobre como os P/F podem contribuir para a segurança da melhor forma. Avaliamos a viabilidade e a aceitação de um modelo de treinamento em abertura de informação sobre erros no cuidado de saúde que utiliza os pacientes como professores.

Métodos: Desenvolvemos uma intervenção educativa que reuniu profissionais de saúde de diferentes disciplinas com P/F de conselhos consultivos de hospitais para discutir a abertura de informação e a prevenção de erros. Grupos focais e sessões de orientação com pacientes serviram como base para o desenvolvimento do currículo e para o desenho da avaliação. Utilizamos um inquérito pré/pós-intervenção com perguntas qualitativas e quantitativas para avaliar as experiências e atitudes dos P/F e dos profissionais de saúde sobre a educação colaborativa em segurança, incluindo as suas expectativas, temores e percepções sobre o valor e os desafios da experiência de aprendizagem. As respostas às perguntas abertas foram codificadas de acordo com os princípios da análise de conteúdo.

Resultados: Os P/F e os profissionais de saúde esperavam aprender sobre as perspectivas uns dos outros, as habilidades de comunicação e as estratégias de empoderamento do paciente. Antes da intervenção, ambos os grupos temiam que a dinâmica de poder dificultasse a interação efetiva. Os profissionais de saúde temiam que os P/F se dessem conta da sua falibilidade, enquanto os P/F estavam preocupados com o jargão e a postura defensiva de tais profissionais. Após as reuniões, os profissionais de saúde valorizaram a retroalimentação direta pelos pacientes, as estratégias de comunicação para a abertura de informação sobre erros e o fato de terem tido uma experiência de aprendizagem "real". Os P/F apreciaram a responsabilização dos profissionais de saúde e a compreensão sobre como os erros no cuidado de saúde afetam estes profissionais. A metade dos participantes afirmou não ter encontrado nenhuma dificuldade no processo. Os demais profissionais de saúde, no entanto, destacaram as emoções e a necessidade de uma enorme "mudança cultural", enquanto os P/F salientaram o jargão médico e o desejo de mais tempo. Os pacientes e os profissionais de saúde consideraram que a experiência foi valiosa. Apresentamos recomendações sobre como desenvolver um programa de segurança do paciente que utilize os pacientes como professores.

Conclusões: Um paradigma educacional em segurança do paciente que inclua os pacientes como professores e aprendizes em colaboração com os profissionais de saúde é viável, tendo sido avaliado pelos profissionais e pelos P/F como promissor para o treinamento em abertura de informação e prevenção de erros no cuidado de saúde centrado nos pacientes e suas famílias.

Resumo Original:

Background: Despite growing interest in engaging patients and families (P/F) in patient safety education, little is known about how P/F can best contribute. We assessed the feasibility and acceptability of a patient-teacher medical error disclosure and prevention training model.

Methods: We developed an educational intervention bringing together interprofessional clinicians with P/F from hospital advisory councils to discuss error disclosure and prevention. Patient focus groups and orientation sessions informed curriculum and assessment design. A pre-post survey with qualitative and quantitative questions was used to assess P/F and clinician experiences and attitudes about collaborative safety education including participant hopes, fears, perceived value of learning experience and challenges. Responses to open-ended questions were coded according to principles of content analysis.

Results: P/F and clinicians hoped to learn about each other's perspectives, communication skills and patient empowerment strategies. Before the intervention, both groups worried about power dynamics dampening effective interaction. Clinicians worried that P/F would learn about their fallibility, while P/F were concerned about clinicians' jargon and defensive posturing. Following workshops, clinicians valued patients' direct feedback, communication strategies for error disclosure and a 'real' learning experience. P/F appreciated clinicians' accountability, and insights into how medical errors affect clinicians. Half of participants found nothing challenging, the remainder clinicians cited emotions and enormity of 'culture change', while P/F commented on medical jargon and desire for more time. Patients and clinicians found the experience valuable. Recommendations about how to develop a patient-teacher programme in patient safety are provided.

Conclusions: An educational paradigm that includes patients as teachers and collaborative learners with clinicians in patient safety is feasible, valued by clinicians and P/F and promising for P/F-centred medical error disclosure and prevention training.

Keywords: Health professions education; Patient education; Patient-centred care; Safety culture; Simulation

Fonte:
BMJ Qual Saf ; 25(8): 615-625; 2016. DOI: 10.1136/bmjqs-2015-004292.