O impacto da acreditação sobre a qualidade do cuidado de saúde: uma abordagem baseada nos princípios da teoria fundamentada

DESVEAUX, L. ; MITCHELL, J. I. ; SHAW, J. ; IVERS, N. M.
Título original:
Understanding the impact of accreditation on quality in healthcare: A grounded theory approach
Resumo:

Objetivo: Explorar de que forma as organizações respondem e interagem com o processo de acreditação e os mecanismos reais e potenciais pelos quais a acreditação pode influenciar a qualidade.

Desenho: Estudo qualitativo baseado nos princípios da teoria fundamentada.

Ambiente: Organizações que participaram do programa de acreditação Qmentum, do Canadá, de janeiro de 2014 a junho de 2016.

Participantes: Pessoas que coordenaram o processo de acreditação ou estiveram envolvidas na gestão ou promoção da qualidade.

Resultados: O processo de acreditação é amplamente visto como um processo de garantia de qualidade, que muitas vezes serve como base para atividades de melhoria de qualidade se o feedback estiver alinhado com as prioridades organizacionais. São necessárias três etapas importantes para que a acreditação afete a qualidade: coerência, apropriação organizacional e ação coletiva. Estas etapas se correlacionam com construtos descritos na Teoria do Processo de Normalização. A coerência é estabelecida quando uma organização e seus profissionais consideram que a acreditação está alinhada com as crenças, o contexto e o modelo de prestação de serviços da organização. A apropriação organizacional é estabelecida quando existe um defensor conceitual e um defensor operacional do processo, sendo influenciada por fatores contextuais internos e externos. As ações de melhoria de qualidade ocorrem quando as organizações tomam medidas deliberadas em resposta às observações, ao feedback ou à autorreflexão resultantes do processo de acreditação.

Conclusões: O processo de acreditação tem o potencial de influenciar a qualidade através de três mecanismos: coerência, apropriação organizacional e ações coletivas de melhoria de qualidade. Fatores contextuais internos e externos, incluindo características individuais, influenciam a experiência de uma organização com a acreditação.

Palavras-Chave: Acreditação; métodos qualitativos; gestão da qualidade.

Resumo Original:

Objective: To explore how organizations respond to and interact with the accreditation process and the actual and potential mechanisms through which accreditation may influence quality.

Design: Qualitative grounded theory study.

Setting: Organizations who had participated in Accreditation Canada's Qmentum program during January 2014-June 2016.

Participants: Individuals who had coordinated the accreditation process or were involved in managing or promoting quality.

Results: The accreditation process is largely viewed as a quality assurance process, which often feeds in to quality improvement activities if the feedback aligns with organizational priorities. Three key stages are required for accreditation to impact quality: coherence, organizational buy-in and organizational action. These stages map to constructs outlined in Normalization Process Theory. Coherence is established when an organization and its staff perceive that accreditation aligns with the organization's beliefs, context and model of service delivery. Organizational buy-in is established when there is both a conceptual champion and an operational champion, and is influenced by both internal and external contextual factors. Quality improvement action occurs when organizations take purposeful action in response to observations, feedback or self-reflection resulting from the accreditation process.

Conclusions: The accreditation process has the potential to influence quality through a series of three mechanisms: coherence, organizational buy-in and collective quality improvement action. Internal and external contextual factors, including individual characteristics, influence an organization's experience of accreditation.

Keywords: accreditation; qualitative methods; quality management.

Fonte:
Int J Qual Health Care ; 29(7): 941-947; 2017. DOI: 10.1093/intqhc/mzx136.