Legibilidade da prescrição: maior talvez seja melhor.

Fallaize R ; Dovey G ; Woolf S
Título original:
Prescription legibility: bigger might actually be better.
Resumo:

Resumo
INTRODUÇÃO:
Os erros de medicação são comuns e podem causar danos aos pacientes, podendo inclusive resultar em morte. Os médicos menos experientes escrevem a maioria das prescrições e são, portanto, responsáveis pela maioria dos erros. Há poucos estudos sobre o efeito da legibilidade da caligrafia dos prescritores sobre a taxa de erros de medicação. Existe a crença popular de que a caligrafia dos médicos é pior que a média; no entanto, estudos demostraram que isto não é verdade. Na realidade, a caligrafia em geral tende a ser ruim.
MÉTODOS:
Escolhemos uma amostra aleatória de prescrições em prontuários de pacientes internados para obter um conjunto de caligrafias com ampla variação em termos de legibilidade, com uma distribuição uniforme do uso de letras maiúsculas e minúsculas. Recrutamos duas coortes de 13 médicos iniciantes e 13 controles não médicos, pedindo-lhes que transcrevessem cada uma das prescrições. Os resultados foram analisados em busca de diferenças estatisticamente significativas na taxa de transcrição correta quando as prescrições utilizavam letras minúsculas ou maiúsculas.
RESULTADOS:
Os participantes não médicos transcreveram corretamente apenas 45% das prescrições escritas com letras minúsculas. Este valor subiu para 66,5% nas prescrições em letras maiúsculas. A diferença apresentou grande significância estatística, com p<0,005. Também encontramos uma diferença estatisticamente significativa na transcrição pelos participantes médicos (92,3% vs. 97,8%, p = 0,016).
CONCLUSÃO:
Os médicos devem assumir a responsabilidade pela qualidade das suas prescrições, para prevenir erros de medicação evitáveis. A legibilidade melhora com o uso de letras maiúsculas. Portanto, recomendamos que o uso de letras maiúsculas se torne prática rotineira na prescrição de medicamentos.
PALAVRAS-CHAVE:
Erro de medicação; legibilidade; segurança do paciente; prescrição.

Resumo Original:

Abstract
INTRODUCTION:
Drug errors are common and can be detrimental to patients, even resulting in death. Junior doctors write most prescriptions and are therefore responsible for most errors. There is little literature about the effect of legibility of the prescriber's handwriting on the rate of drug errors. Folklore would deem doctors' handwriting to be poorer than average; however, studies have shown this to be incorrect. In fact, handwriting in general has been shown to be poor.
METHODS:
A random sample of prescriptions from inpatient drug charts were chosen to provide a wide spread of legibility, with an even spread of the use of upper-case and lower-case lettering. Two cohorts of 13 junior doctors and 13 non-medical controls were recruited and asked to transcribe each of the prescriptions. Results were analysed for evidence of a statistical difference in correct transcription rate between lower-case or upper-case letters.
RESULTS:
Non-medical participants correctly transcribed only 45% of prescriptions written in lower case. This rose to 66.5% for those written in upper case. This showed strong statistical significance, p<0.005. A statistical difference was also shown for differences in transcription by junior doctors (92.3% vs 97.8%, p=0.016).
CONCLUSION:
Doctors must take responsibility for the quality of the prescriptions they write, to prevent avoidable drug errors. Legibility is improved by the use of capital letters. Therefore, we recommend that the use of upper cases should become routine practice when writing drug prescriptions.
KEYWORDS:
drug error; legibility; patient safety; prescription

Fonte:
; 94(1117): 617-620; 2019. DOI: 10.1136/postgradmedj-2018-136010.