Investigações sociotécnicas da segurança no cuidado de saúde – investigando o desempenho humano em organizações setoriais modernas de alta confiabilidade

McCarthy, P.a,b ; Blackie, A.a,b
Título original:
Socio-Technical Safety Investigations in Healthcare – Investigating Human Performance in Modern High Reliability Sector Organizations
Resumo:

A introdução da Divisão de Pesquisa sobre a Segurança no Cuidado de Saúde no National Health Service (NHS) da Inglaterra representa uma abordagem independente e pioneira em todo o mundo de investigação da segurança pela ótica da não culpabilidade. Estas investigações são conduzidas num ambiente com níveis muito variáveis de complexidade sociotécnica, numa grande região geográfica do Reino Unido (UK) e em diferentes Trusts, departamentos e especialidades. No coração deste sistema estão os profissionais de saúde que equilibram constantemente a utilização de recursos para garantir que a segurança do paciente seja mantida nos mais altos níveis. Integrada num sistema sociotécnico, a contribuição humana frequentemente garante a adaptabilidade que permite que o sistema funcione. Historicamente, quando a segurança do paciente era comprometida, ou se ocorresse um resultado inesperado, a contribuição humana era examinada, muitas vezes a fim de executar ações disciplinares ou punitivas para evitar que o evento voltasse a ocorrer. Uma abordagem mais moderna do pensamento sistêmico procura enxergar a contribuição humana como apenas um dos elementos de um sistema sociotécnico, sendo possivelmente a fonte mais rica de evidências para a compreensão plena de qualquer evento. Este estudo-piloto identificou as qualidades consideradas como as mais valiosas para os investigadores da segurança no cuidado de saúde, para quem a pesquisa sobre o desempenho humano é fundamental para compreender a maior parte dos eventos de segurança do paciente aos quais precisam responder. Habilidades não técnicas, como a comunicação, a inteligência emocional, a resiliência e a empatia foram classificadas como mais importantes que as habilidades clínicas ou técnicas para o investigador individual que realiza uma investigação no cuidado de saúde. Isto depende dos conhecimentos clínicos e técnicos disponíveis para o investigador individual ao nível da equipe. Os resultados iniciais são interessantes, pois parecem indicar que, à medida que um ambiente se torna cada vez mais complexo do ponto de vista sociotécnico, as habilidades não técnicas (centradas no ser humano) se tornam mais necessárias para compreender a narrativa e o contexto diante da ocorrência de resultados inesperados no ambiente de saúde. 
 

Resumo Original:

The introduction of the Healthcare Safety Investigation Branch into the National Health Service (NHS) in England is a world first, independent, not for blame investigation approach for healthcare. These investigations are conducted in an environment which has vastly varying levels of socio-technical complexity across a wide geographical region of the United Kingdom (UK) and across Trusts, departments and specialist disciplines. At the heart of this system are the healthcare workers who constantly balance resource to ensure patient safety is maintained to the highest levels. Embedded in a socio-technical system, the human contribution is often providing the adaptability which makes the system work. Historically if patient safety was compromised, or an unexpected outcome occurred it was the human contribution which was scrutinized, often with a view to disciplinary or punitive action in order to prevent recurrence. A more modern approach to system thinking guides us to see the human contribution as only one element of a socio-technical system and possibly the richest source of evidence for fully understanding any event. This pilot study has identified the perceived qualities deemed most valuable for healthcare safety investigators for whom the investigation of human performance will be key to understanding the majority of patient safety events they respond to. Non-technical skills including communication, Emotional Intelligence, resilience and empathy were ranked above the clinical or technical skills as more important for the individual investigator conducting investigation in healthcare. This is dependent on the clinical and technical expertise being available at a team level to the individual investigator. The initial findings are interesting in that they appear to indicate that as the environment is becoming increasingly socio-technically complex, it is the softer, non-technical (human-centered) skills that are required to understand narrative and context when unexpected outcomes occur in the healthcare setting. 

Fonte:
; 11571: 76-91; 2019. DOI: 10.1007/978-3-030-22507-0_7.