Implementação das Diretrizes da Organização Mundial da Saúde para a Prevenção de Infecção de Sítio Cirúrgico em países de renda baixa e média: o que sabemos e o que não sabemos

Kemal Rasa ; Claire Kilpatrick
Título original:
Implementation of World Health Organization Guidelines in the Prevention of Surgical Site Infection in Low- and Middle-Income Countries: What We Know and Do Not Know
Resumo:

Resumo
Contexto: Em países de renda baixa e média (PRBMs), as infecções são a complicação mais frequente em procedimentos cirúrgicos, e as infecções de sítio cirúrgico (ISCs) são, globalmente, as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRASs) mais frequentes. A prevenção de ISC é um objetivo importante para a melhoria geral da qualidade e da segurança do paciente, além de apoiar a agenda global de prevenção e controle de infecções (PCI). Métodos: Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras Diretrizes Globais para a Prevenção de Infecções de Sítio Cirúrgico. A OMS também simplificou os materiais de vigilância de ISCs e incluiu medidas de avaliação dos processos, que são essenciais para superar as barreiras existentes nos PRBMs. Como as atividades de vigilância, isoladamente, não levarão a melhorias, e dado que a implementação é mais desafiadora do que o desenvolvimento de diretrizes, a OMS apresentou então uma nova abordagem de implementação passo a passo, baseada em seus métodos de melhoria comprovados para as medidas de PCI. Esses documentos foram revistos e resumidos para que tenham um alcance mais amplo entre a comunidade cirúrgica. Resultados: As orientações de implementação da OMS apresentam exemplos de práticas atuais, comparando-as com as práticas recomendadas nas diretrizes da OMS para a prevenção de ISCs, e consideram a situação nos PRBMs. Com isso, identificam os problemas que precisam ser resolvidos nos casos em que as recomendações não foram aplicadas de forma consistente e confiável. As orientações dividem os passos necessários para a melhoria, aplicando elementos-chave reunidos numa estratégia de melhoria multimodal. Conclusões: A implementação dos documentos de orientação e ferramentas de PCI publicados por organizações globais e governos nacionais ainda envolve desafios, especialmente para os PRBMs. As abordagens bem-sucedidas devem utilizar métodos científicos para a implementação e a melhoria, devendo ser promovido o trabalho e o aprendizado conjunto entre as comunidades cirúrgica e de PCI. Segundo as recomendações da OMS sobre recursos humanos, o progresso real só será possível se os profissionais forem envolvidos na execução dos programas de PCI e se forem utilizadas abordagens com eficácia comprovada.
 

Resumo Original:

Abstract
Background: In low- and middle-income countries (LMICs), infection is the most frequent complication in surgical procedures, and surgical site infections (SSIs) globally are the most frequent health-care-associated infections (HAIs). Preventing SSI is an important target for overall quality improvement and patient safety as well as supporting the infection prevention and control (IPC) global agenda. Methods: In 2018, the World Heath Organization (WHO) presented the first Global Guidelines for the Prevention of Surgical Site Infections. The WHO also simplified SSI surveillance materials and included process measures, critical to addressing the barriers existing in LMICs. Because surveillance activities alone will not lead to improvements and implementation is more challenging than guideline development, the WHO then outlined a novel, step by step approach for implementation based on its tried and tested improvement approach for IPC measures. These documents have been reviewed and summarized to achieve wider reach in the surgical community. Results: The WHO implementation guidance notes examples of current practice against the WHO SSI prevention guideline recommendations and considers LMIC settings. It identifies the related problem that needs to be addressed if the recommendation is not being applied consistently and reliably. It breaks down the steps required to make an improvement applying key elements known as the multi-modal improvement strategy. Conclusions: Implementation of IPC guidance documents and tools published by global organizations and national governments continues to be a challenge, especially for LMICs. Successful approaches need to include a science-based approach to implementation and improvement, as well as joined up working and learning across IPC and surgical communities. Real improvements can be only achieved, based on WHO workforce recommendations, with IPC programs including the staff to execute these programs and using a proven approach.
 

Fonte:
Surgical infections ; 21(7): 592-598; 2020. DOI: 10.1089/sur.2020.163.