Higienização das mãos — crenças ou ciência?

HUGONNET, S. ; PITTET, D.
Título original:
Hand hygiene - beliefs or science?
Resumo:

Mais de um século se passou desde que Ignaz P. Semmelweis demonstrou a associação entre higienização das mãos e infecções hospitalares, mas esse simples procedimento ainda não é reconhecido por muitos profissionais de saúde como uma das medidas mais importantes para prevenção da transmissão cruzada de microrganismos. Houve uma quantidade relativamente extensa de pesquisas, em particular para tentar entender por que a adesão continua sendo tão baixa, a fim de implementar campanhas de promoção bem-sucedidas. Essas pesquisas produziram uma quantidade razoável de dados científicos robustos que são, por vezes, mal compreendidos e inadequadamente utilizados por causa de mitos ou certas crenças. Estudos observacionais ou de intervenção têm mostrado consistentemente uma série de fatores de risco associados à não adesão, como alta carga laboral, categoria profissional ou tipo de enfermaria. Acredita-se que há outras barreiras que impeçam a adesão adequada, mas que ainda não foram devidamente avaliadas. Essas incluem a irritação da pele por agentes de higienização das mãos, a falta de conhecimento das recomendações sobre a higienização das mãos ou a ausência de política institucional. Futuras intervenções de promoção da higienização das mãos deverão abordar esses fatores de risco e visar ao trabalhador individual de saúde, bem como ao grupo ou à instituição, para alcançar um grau significativo de sucesso.

Palavras-chave: Higienização das mãos, Desinfecção das mãos, Lavagem das mãos, Infecção hospitalar, conformidade

Resumo Original:

Over a century has passed since Ignaz P. Semmelweis demonstrated the association between hand hygiene and nosocomial infections, but this simple procedure is still not recognized by many healthcareworkers as one of the most important measures to prevent cross-transmission ofmicroorganisms. A relatively large amount of research has been done, in particular to try to understand why compliance remains so low, in order to implement successful promotion campaigns.This research has generated a fair amount of strong scientifc datawhich are sometimesmisunderstood andmisused because ofmyths or certain beliefs. Observational or intervention studies have consistently shown a number of risk factors associatedwith non-compliance, such as highworkload, professional category, or type ofward. Others are thought to be barriers to adequate compliance but have not yet been properly assessed.These include skin irritation due to hand hygiene agents, lack of knowledge of hand hygiene recommendations, or lack of institutional policy. Future interventions to promote hand hygienewill need to address these risk factors, and target the individual ealthcareworker, aswell as the group or institution if a signi¢cant degree of success is to be achieved.

Keywords: Hand hygiene, hand disinfection, handwashing, nosocomial infection, compliance

Fonte:
Clin Microbiol Infect ; 6(7): 348–354; 2000. DOI: 10.1046/j.1469-0691.2000.00104.x.