Erros de diagnóstico aumentam a mortalidade e o tempo de internação hospitalar em pacientes recebidos no serviço de emergência

Stefanie C Hautz ; Luca Schuler ; Juliane E Kämmer ; Stefan K Schauber ; Meret E Ricklin ; Thomas C Sauter ; Volker Maier
Título original:
Diagnostic error increases mortality and length of hospital stay in patients presenting through the emergency room
Resumo:

CONTEXTO: Os erros de diagnóstico ocorrem com frequência, especialmente no serviço de emergência. As estimativas sobre as consequências dos erros de diagnóstico variam muito, e sabe-se pouco sobre os fatores que predizem a ocorrência de erros. Assim, os nossos objetivos foram determinar a taxa de discrepância entre os diagnósticos na internação e na alta hospitalar em pacientes recebidos pelo serviço de emergência, as consequências dessas discrepâncias e os fatores que as predizem. MÉTODOS: Estudo clínico observacional prospectivo combinado com um inquérito em um hospital terciário afiliado a uma universidade. O diagnóstico de alta hospitalar dos pacientes foi comparado com o diagnóstico na internação pelo serviço de emergência e classificado como semelhante ou discrepante por dois avaliadores especialistas independentes que seguiram um esquema predefinido. Utilizamos modelos generalizados de efeitos lineares mistos para estimar o efeito da discrepância diagnóstica na mortalidade e no tempo de internação hospitalar e para determinar se as características dos pacientes, dos médicos que fizeram os diagnósticos e do contexto previam as discrepâncias diagnósticas. RESULTADOS: Foram incluídos 755 pacientes consecutivos (322 [42,7%] do sexo feminino; idade média de 65,14 anos). O diagnóstico de alta diferiu consideravelmente do diagnóstico de internação em 12,3% dos casos. A discrepância diagnóstica esteve associada a um maior tempo de internação (média de 10,29 vs. 6,90 dias; d de Cohen, 0,47; intervalo de confiança de 95%, 0,26 a 0,70; p=0,002) e a uma maior mortalidade (8[8,60%] vs. 25 [3,78%]; OR, 2,40; IC 95%, 1,05 a 5,5; p=0,038). Um elemento presente no momento da internação que previu a discrepância diagnóstica foi a avaliação, pelo médico diagnosticador, de que o paciente se apresentava de forma atípica para o diagnóstico atribuído (OR 3,04; IC 95%, 1,33-6,96; p=0,009). CONCLUSÕES: As discrepâncias diagnósticas são um problema relevante para o cuidado de pacientes internados pelo serviço de emergência, pois ocorrem em um de cada nove pacientes e estão associadas a uma maior mortalidade intra-hospitalar. As discrepâncias não são facilmente previsíveis por características fixas dos pacientes ou dos médicos; a atenção deve se concentrar no contexto. 

Resumo Original:


BACKGROUND: Diagnostic errors occur frequently, especially in the emergency room. Estimates about the consequences of diagnostic error vary widely and little is known about the factors predicting error. Our objectives thus was to determine the rate of discrepancy between diagnoses at hospital admission and discharge in patients presenting through the emergency room, the discrepancies' consequences, and factors predicting them. METHODS: Prospective observational clinical study combined with a survey in a University-affiliated tertiary care hospital. Patients' hospital discharge diagnosis was compared with the diagnosis at hospital admittance through the emergency room and classified as similar or discrepant according to a predefined scheme by two independent expert raters. Generalized linear mixed-effects models were used to estimate the effect of diagnostic discrepancy on mortality and length of hospital stay and to determine whether characteristics of patients, diagnosing physicians, and context predicted diagnostic discrepancy. RESULTS: 755 consecutive patients (322 [42.7%] female; mean age 65.14 years) were included. The discharge diagnosis differed substantially from the admittance diagnosis in 12.3% of cases. Diagnostic discrepancy was associated with a longer hospital stay (mean 10.29 vs. 6.90 days; Cohen's d 0.47; 95% confidence interval 0.26 to 0.70; P = 0.002) and increased patient mortality (8 (8.60%) vs. 25(3.78%); OR 2.40; 95% CI 1.05 to 5.5 P = 0.038). A factor available at admittance that predicted diagnostic discrepancy was the diagnosing physician's assessment that the patient presented atypically for the diagnosis assigned (OR 3.04; 95% CI 1.33-6.96; P = 0.009). CONCLUSIONS: Diagnostic discrepancies are a relevant healthcare problem in patients admitted through the emergency room because they occur in every ninth patient and are associated with increased in-hospital mortality. Discrepancies are not readily predictable by fixed patient or physician characteristics; attention should focus on context.

Fonte: