Em que etapa da implementação do currículo de segurança do paciente estão os países de renda baixa e média (PRBMs) e quais são os obstáculos à implementação? Um estudo transversal em duas etapas

GINSBURG, L. R. ; DHINGRA-KUMAR, N. ; DONALDSON, L. J.
Título original:
What stage are low-income and middle-income countries (LMICs) at with patient safety curriculum implementation and what are the barriers to implementation? A two-stage cross-sectional study
Resumo:

Objetivos: A melhoria da segurança no setor da saúde em todo o mundo depende em parte dos conhecimentos, habilidades e atitudes dos profissionais que prestam o cuidado. Tem sido defendido internacionalmente um maior conteúdo de segurança do paciente em programas de educação e treinamento profissional. Embora os Guias Curriculares de Segurança do Paciente da OMS (para faculdades de medicina e currículos multiprofissionais) tenham sido amplamente divulgados nos países de renda baixa e média (PRBMs) nos últimos anos, sabe-se pouco sobre a implementação do currículo de segurança do paciente para além dos países de alta renda. Este estudo examina a implementação do currículo de segurança do paciente em PRBMs.

Métodos: Realizamos dois inquéritos transversais. Em primeiro lugar, foi realizado um inquérito com 88 técnicos de Ministérios da Saúde e dos escritórios da OMS nos países para identificar o padrão dos currículos de segurança do paciente ao nível nacional. Seguiu-se um segundo inquérito que reuniu informações com 71 pessoas cujos cargos lhes permitiam apresentar perspectivas ao nível institucional sobre a implementação do currículo de segurança do paciente.

Resultados: A maioria dos países (69%, 30/44) estava considerando ou planejando ativamente implementar um currículo de segurança do paciente, em vez de estar efetivamente implementando ou integrando um currículo. A maioria das organizações reconheceu a necessidade de educação e treinamento em segurança do paciente e considerou que um currículo de segurança era compatível com os valores da sua organização; no entanto, foram identificadas importantes barreiras ao nível do corpo docente para a implementação de um currículo. Menos da metade das organizações estudadas contava com marcadores estruturais fundamentais, como recursos financeiros dedicados ao tema e ferramentas de avaliação relevantes para avaliar os conhecimentos e as competências daqueles que receberiam o treinamento em segurança do paciente.

Conclusões: É necessária uma maior atenção à implementação do currículo de segurança do paciente. Os obstáculos à implementação deste currículo que identificamos nos PRBMs não são exclusivos dessas regiões. Propomos um referencial que sirva como padrão global para a implementação do currículo de segurança do paciente. Um primeiro passo fundamental seria educar os líderes em todo o sistema, a fim de inserir a cultura de segurança do paciente nos ambientes educacionais e clínicos.

Resumo Original:

Objectives: The improvement of safety in healthcare worldwide depends in part on the knowledge, skills and attitudes of staff providing care. Greater patient safety content in health professional education and training programmes has been advocated internationally. While WHO Patient Safety Curriculum Guides (for Medical Schools and Multi-Professional Curricula) have been widely disseminated in low-income and middle-income countries (LMICs) over the last several years, little is known about patient safety curriculum implementation beyond high-income countries. The present study examines patient safety curriculum implementation in LMICs.

Methods: Two cross-sectional surveys were carried out. First, 88 technical officers in Ministries of Health and WHO country offices were surveyed to identify the pattern of patient safety curricula at country level. A second survey followed that gathered information from 71 people in a position to provide institution-level perspectives on patient safety curriculum implementation.

Results: The majority, 69% (30/44), of the countries were either considering whether to implement a patient safety curriculum or actively planning, rather than actually implementing, or embedding one. Most organisations recognised the need for patient safety education and training and felt a safety curriculum was compatible with the values of their organisation; however, important faculty-level barriers to patient safety curriculum implementation were identified. Key structural markers, such as dedicated financial resources and relevant assessment tools to evaluate trainees' patient safety knowledge and skills, were in place in fewer than half of organisations studied.

Conclusions: Greater attention to patient safety curriculum implementation is needed. The barriers to patient safety curriculum implementation we identified in LMICs are not unique to these regions. We propose a framework to act as a global standard for patient safety curriculum implementation. Educating leaders through the system in order to embed patient safety culture in education and clinical settings is a critical first step.

Fonte:
BMJ Open ; 7(6): e016110; 2017. DOI: 10.1136/bmjopen-2017-016110.