COVID-19: tratamento do delirium na UTI durante a pandemia de SARS-COV-2

Katarzyna Kotfis ; Shawniqua Williams Roberson ; Jo Ellen Wilson ; Wojciech Dabrowski ; Brenda T Pun ; E Wesley Ely
Título original:
COVID-19: ICU Delirium Management During SARS-CoV-2 Pandemic
Resumo:

Resumo
O novo coronavírus, SARS-CoV-2, causador da doença do coronavírus de 2019 (COVID-19), surgiu como uma ameaça de saúde pública em dezembro de 2019 e foi declarado como uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020. O delirium, uma ocorrência prognóstica perigosa, serve como indicador de dano sistêmico em pacientes críticos. Os primeiros relatos de encefalopatia a uma taxa de 25%, oriundos da China, provavelmente subestimam amplamente a dimensão do problema, o que sabidamente tende a ocorrer sempre que o delirium não é monitorado com uma ferramenta válida. De fato, pacientes com COVID-19 apresentam risco de delirium acelerado devido a pelo menos sete fatores, incluindo (1) invasão direta do sistema nervoso central (SNC), (2) indução de mediadores inflamatórios do SNC, (3) efeito secundário da insuficiência de outros órgãos, (4) efeito de estratégias de sedação, (5) tempo prolongado em ventilação mecânica, (6) imobilização e (7) outros fatores ambientais necessários, mas desfavoráveis, como o isolamento social e a quarentena sem a família. Dados os primeiros conhecimentos sobre a patologia do vírus, bem como as intervenções emergentes utilizadas para tratar os pacientes criticamente doentes, a prevenção e o tratamento do delirium são extremamente difíceis, especialmente na unidade de terapia intensiva (UTI). O foco principal durante a pandemia de COVID-19 são as questões organizacionais, isto é, a falta de ventiladores, a falta de equipamentos de proteção individual, a alocação de recursos, a priorização de opções limitadas de ventilação mecânica e o cuidado paliativo. Entretanto, o cuidado-padrão de pacientes internados em UTIs, incluindo o tratamento do delirium, deve preservar a mais alta qualidade possível, tendo em conta a sobrevida a longo prazo e a minimização dos problemas relacionados à síndrome pós-terapia intensiva (SPTI). Este artigo discute como os profissionais de UTIs (tais como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacologistas) podem usar os nossos conhecimentos e recursos para limitar a carga do delirium nos pacientes reduzindo fatores de risco modificáveis, apesar da grande carga de trabalho e dos difíceis desafios clínicos impostos pela pandemia.
Palavras-chave: COVID-19; delirium; SPTI; TEPT; dor; pandemia; SARS-CoV-2; sedação.
 

Resumo Original:

Abstract
The novel coronavirus, SARS-CoV-2-causing Coronavirus Disease 19 (COVID-19), emerged as a public health threat in December 2019 and was declared a pandemic by the World Health Organization in March 2020. Delirium, a dangerous untoward prognostic development, serves as a barometer of systemic injury in critical illness. The early reports of 25% encephalopathy from China are likely a gross underestimation, which we know occurs whenever delirium is not monitored with a valid tool. Indeed, patients with COVID-19 are at accelerated risk for delirium due to at least seven factors including (1) direct central nervous system (CNS) invasion, (2) induction of CNS inflammatory mediators, (3) secondary effect of other organ system failure, (4) effect of sedative strategies, (5) prolonged mechanical ventilation time, (6) immobilization, and (7) other needed but unfortunate environmental factors including social isolation and quarantine without family. Given early insights into the pathobiology of the virus, as well as the emerging interventions utilized to treat the critically ill patients, delirium prevention and management will prove exceedingly challenging, especially in the intensive care unit (ICU). The main focus during the COVID-19 pandemic lies within organizational issues, i.e., lack of ventilators, shortage of personal protection equipment, resource allocation, prioritization of limited mechanical ventilation options, and end-of-life care. However, the standard of care for ICU patients, including delirium management, must remain the highest quality possible with an eye towards long-term survival and minimization of issues related to post-intensive care syndrome (PICS). This article discusses how ICU professionals (e.g., physicians, nurses, physiotherapists, pharmacologists) can use our knowledge and resources to limit the burden of delirium on patients by reducing modifiable risk factors despite the imposed heavy workload and difficult clinical challenges posed by the pandemic.
Keywords: COVID-19; Delirium; PICS; PTSD; Pain; Pandemic; SARS-CoV-2; Sedation.
 

Fonte:
; 24(1): 2020. DOI: 10.1186/s13054-020-02882-x.