Como os conselhos de administração dos hospitais governam a melhoria da qualidade? Um estudo de métodos mistos com 15 organizações na Inglaterra

JONES, L. ; POMEROY, L. ; ROBERT, G. ; BURNETT, S. ; ANDERSON, J. E. ; FULOP, N. J.
Título original:
How do hospital boards govern for quality improvement? A mixed methods study of 15 organisations in England
Resumo:

Contexto: Os sistemas de saúde de todo o mundo estão responsabilizando cada vez mais os conselhos de administração das organizações de saúde pela qualidade do cuidado que prestam. Estudos empíricos anteriores encontraram associações entre certas práticas dos conselhos de administração e a qualidade do cuidado prestado aos pacientes; no entanto, sabe-se pouco sobre a forma como os conselhos de administração governam a melhoria da qualidade (MQ).

Métodos: Realizamos um trabalho de campo durante 30 meses em 15 organizações de saúde na Inglaterra, como parte de uma avaliação mais ampla sobre uma intervenção para o desenvolvimento organizacional em âmbito dos conselhos de administração. Os nossos dados incluíram entrevistas com membros dos conselhos de administração (n=65), observações de reuniões dos conselhos (60 horas) e documentos (30 conjuntos de documentos de reuniões dos conselhos, 15 atas de reuniões e 15 relatórios sobre qualidade). Analisamos os dados usando um referencial conceitual desenvolvido a partir de evidências existentes sobre as relações entre as práticas de conselhos de administração e a qualidade do cuidado. Mapeamos as variações na forma como os conselhos executaram a governança da MQ e construímos uma medida de maturidade da governança da MQ. A seguir, comparamos as organizações para identificar as características daquelas cuja governança da MQ era madura.

Resultados: Constatamos que os conselhos com maiores níveis de maturidade em relação à governança da MQ apresentavam as seguintes características: priorizar explicitamente a MQ; equilibrar as prioridades a curto prazo (externas) com o investimento a longo prazo (interno) em MQ; utilizar dados para a MQ, e não só para a garantia de qualidade; envolver os profissionais e pacientes na MQ; incentivar uma cultura de melhoria contínua. Estas características pareceram ser particularmente facilitadas e possibilitadas pelos líderes clínicos do conselho de administração.

Conclusões: Este estudo contribui para uma compreensão mais aprofundada da forma como os conselhos de administração governam a MQ. As características identificadas nas organizações com uma governança madura da MQ pareceram ser facilitadas pela liderança clínica ativa. Estudos futuros devem explorar as biografias, identidades e práticas de trabalho dos líderes clínicos em âmbito do conselho de administração e o seu papel na MQ da organização como um todo.

Palavras-chave: Governança; liderança; melhoria de qualidade.

Resumo Original:

Background: Health systems worldwide are increasingly holding boards of healthcare organisations accountable for the quality of care that they provide. Previous empirical research has found associations between certain board practices and higher quality patient care; however, little is known about how boards govern for quality improvement (QI).

Methods: We conducted fieldwork over a 30-month period in 15 healthcare provider organisations in England as part of a wider evaluation of a board-level organisational development intervention. Our data comprised board member interviews (n=65), board meeting observations (60 hours) and documents (30 sets of board meeting papers, 15 board minutes and 15 Quality Accounts). We analysed the data using a framework developed from existing evidence of links between board practices and quality of care. We mapped the variation in how boards enacted governance of QI and constructed a measure of QI governance maturity. We then compared organisations to identify the characteristics of those with mature QI governance.

Results: We found that boards with higher levels of maturity in relation to governing for QI had the following characteristics: explicitly prioritising QI; balancing short-term (external) priorities with long-term (internal) investment in QI; using data for QI, not just quality assurance; engaging staff and patients in QI; and encouraging a culture of continuous improvement. These characteristics appeared to be particularly enabled and facilitated by board-level clinical leaders.

Conclusions: This study contributes to a deeper understanding of how boards govern for QI. The identified characteristics of organisations with mature QI governance seemed to be enabled by active clinical leadership. Future research should explore the biographies, identities and work practices of board-level clinical leaders and their role in organisation-wide QI.

Keywords: Governance; Leadership; Quality Improvement

Fonte:
BMJ Qual Saf ; 26(12): 978-986; 2017. DOI: 10.1136/bmjqs-2016-006433.