Como não desperdiçar uma crise: um estudo qualitativo sobre a definição de problemas e as suas consequências em três hospitais

Martin G ; Ozieranski P ; Leslie M ; Dixon-Woods M
Título original:
How not to waste a crisis: a qualitative study of problem definition and its consequences in three hospitals
Resumo:

OBJETIVOS: A importância dada às questões de segurança do paciente varia entre as diferentes organizações de saúde; no entanto, sabe-se pouco sobre como ou por que essa variação ocorre. Procuramos comparar e contrastar as formas como três hospitais ingleses identificam, priorizam e abordam questões de segurança do paciente, com base em ideias retiradas da literatura das ciências sociológicas e políticas sobre o processo de definição de problemas. MÉTODOS: Realizamos um trabalho de campo qualitativo aprofundado, que envolveu 99 entrevistas, 246 horas de observação etnográfica e a coleta de documentos, em três hospitais que serviram como estudos de caso como parte de um estudo de métodos mistos mais amplo. A análise dos dados se baseou no método comparativo constante. RESULTADOS: A maneira de reconhecer, conceptualizar e priorizar os problemas e de buscar soluções apropriadas variou entre os três hospitais. Em cada organização, foram necessários certos fatores desencadeantes para problematizar a segurança — um processo no qual as crises tiveram um papel particularmente importante. A maneira como os problemas foram construídos — e como as suas definições foram priorizadas no processo — afetou fortemente a resposta organizacional, influenciando a escolha das soluções consideradas mais apropriadas e a alocação de responsabilidades para a sua implementação. CONCLUSÕES: O processo de definição de problemas é crucial para aumentar a importância dada à segurança do paciente e na busca de intervenções para solucioná-los. A forma como os problemas de segurança do paciente são definidos e construídos é extremamente importante, influenciando a seleção de soluções e a sua provável sustentabilidade.

Resumo Original:

OBJECTIVES: The prominence given to issues of patient safety in health care organizations varies, but little is known about how or why this variation occurs. We sought to compare and contrast how three English hospitals came to identify, prioritize and address patient safety issues, drawing on insights from the sociological and political science literature on the process of problem definition. METHODS: In-depth qualitative fieldwork, involving 99 interviews, 246 hours of ethnographic observation, and document collection, was carried out in three case-study hospitals as part of a wider mixed-methods study. Data analysis was based on the constant comparative method. RESULTS: How problems of patient safety came to be recognized, conceptualized, prioritized and matched to solutions varied across the three hospitals. In each organization, it took certain 'triggers' to problematize safety, with crises having a particularly important role. How problems were constructed - and whose definitions were prioritized in the process - was highly consequential for organizational response, influencing which solutions were seen as most appropriate, and allocation of responsibility for implementing them. CONCLUSIONS: A process of problem definition is crucial to raising the profile of patient safety and to rendering problems amenable to intervention. How problems of patient safety are defined and constructed is highly consequential, influencing selection of solutions and their likely sustainability.
 

Fonte:
; 2019. DOI: 10.1177/1355819619828403.