A cirurgia no consultório médico é segura? Comparação dos resultados de 183.914 procedimentos cirúrgicos estéticos em diferentes tipos de instalações acreditadas

GUPTA, V. ; PARIKH, R. ; NGUYEN, L. ; AFSHARI, A. ; SHACK, R. B. ; GROTTING, J. C. ; HIGDON, K. K.
Título original:
Is Office-Based Surgery Safe? Comparing Outcomes of 183,914 Aesthetic Surgical ProceduresAcross Different Types of Accredited Facilities
Resumo:

Contexto: As cirurgias realizadas em consultórios médicos são cada vez mais frequentes. No entanto, devido a grandes variações na regulamentação, a segurança da cirurgia estética em consultórios médicos tem sido questionada.

Objetivos: Este estudo compara as taxas de complicações de cirurgias estéticas realizadas em salas cirúrgicas em consultórios médicos (SCCMs) versus centros cirúrgicos ambulatoriais (CCAs) ou -hospitalares.

Métodos: Identificamos uma coorte prospectiva de pacientes submetidos à cirurgia estética entre 2008 e 2013 na base de dados CosmetAssure (Birmingham, AL). Os pacientes foram agrupados segundo o tipo de instalação acreditada onde a cirurgia foi realizada: SCCM, CCA ou hospital. O desfecho primário foi a incidência de complicações graves que exigiram a ida a serviços de emergência, internação hospitalar ou reoperação até 30 dias após a cirurgia. Foi feita a revisão de possíveis fatores de risco, como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), tabagismo, diabetes, tipo de procedimento e procedimentos combinados.

Resultados: Dos 129.007 pacientes (183.914 procedimentos) no conjunto de dados, a maioria foi submetida a procedimentos em CCAs (57,4%), seguida de hospitais (26,7%) e SCCMs (15,9%). Uma menor proporção de pacientes operados em SCCMs foi submetida a procedimentos combinados (30,3%) em comparação com CCAs (31,8%) e hospitais (35,3%, p<0,01). As taxas de complicações em SCCMs, CCAs e hospitais foram de 1,3%, 1,9% e 2,4%, respectivamente. Na análise multivariada houve um menor risco de desenvolver uma complicação em SCCMs em comparação com CCAs (RR 0,67, IC 95% 0,59-0,77, p<0,01) ou hospitais (RR 0,59, IC 95% 0,52-0,68, p<0,01).

Conclusões: As SCCMs acreditadas parecem ser uma alternativa segura aos CCAs e hospitais para procedimentos estéticos. Os cirurgiões plásticos devem continuar a triar os seus pacientes cuidadosamente com base em outras comorbidades significativas que não foram medidas neste estudo.

Nível de evidência: 3.

Resumo Original:

Background: There has been a dramatic rise in office-based surgery. However, due to wide variations in regulatory standards, the safety of office-based aesthetic surgery has been questioned.

Objectives: This study compares complication rates of cosmetic surgery performed at office-based surgical suites (OBSS) to ambulatory surgery centers (ASCs) and hospitals.

Methods: A prospective cohort of patients undergoing cosmetic surgery between 2008 and 2013 were identified from the CosmetAssure database (Birmingham, AL). Patients were grouped by type of accredited facility where the surgery was performed: OBSS, ASC, or hospital. The primary outcome was the incidence of major complication(s) requiring emergency room visit, hospital admission, or reoperation within 30 days postoperatively. Potential risk factors including age, gender, body mass index (BMI), smoking, diabetes, type of procedure, and combined procedures were reviewed.

Results: Of the 129,007 patients (183,914 procedures) in the dataset, the majority underwent the procedure at ASCs (57.4%), followed by hospitals (26.7%) and OBSS (15.9%). Patients operated in OBSS were less likely to undergo combined procedures (30.3%) compared to ASCs (31.8%) and hospitals (35.3%, P < .01). Complication rates in OBSS, ASCs, and hospitals were 1.3%, 1.9%, and 2.4%, respectively. On multivariate analysis, there was a lower risk of developing a complication in an OBSS compared to an ASC (RR 0.67, 95% CI 0.59-0.77, P < .01) or a hospital (RR 0.59, 95% CI 0.52-0.68, P < .01).

Conclusions: Accredited OBSS appear to be a safe alternative to ASCs and hospitals for cosmetic procedures. Plastic surgeons should continue to triage their patients carefully based on other significant comorbidities that were not measured in this present study. LEVEL OF EVIDENCE 3.

Fonte:
Aesthet Surg J ; 37(2): 226-235; 2017. DOI: 10.1093/asj/sjw138.