Avaliação da prontidão das instituições e da preparação dos profissionais para lidar com a hemorragia pós-parto e a pré-eclâmpsia/eclâmpsia em unidades de saúde públicas e privadas no norte de Karnataka, na Índia: um estudo transversal

JAYANNA, K. ; MONY, P. ; RAMESH, B. M. ; THOMAS, A. ; GAIKWAD, A. ; MOHAN, H. L. ; BLANCHARD, J. F.
Título original:
Assessment of facility readiness and provider preparedness for dealing with postpartum haemorrhage and pre-eclampsia/eclampsia in public and private health facilities of northern Karnataka, India: a cross-sectional study
Resumo:

Contexto: Na Índia, a taxa de mortalidade materna tem caído ao longo da última década, mas continua num nível inaceitável, com 212 mortes por 100.000 nascidos vivos. A hemorragia pós-parto (HPP) e a pré-eclâmpsia/eclâmpsia contribuem com 40% de todas as mortes maternas. Avaliamos a prontidão das instituições e a preparação dos profissionais para lidar com essas duas complicações maternas em unidades de saúde públicas e privadas no norte do estado de Karnataka, no sul da Índia.

Métodos: Realizamos um estudo transversal em 131 centros de atenção primária (CAPs) e 148 unidades de referência de nível mais elevado (74 públicas e 74 privadas) em oito distritos da região. Avaliamos a infraestrutura das instituições e o conhecimento dos profissionais em relação ao rastreamento e ao tratamento das complicações, utilizando listas de verificação e casos-teste, respectivamente. Também procuramos realizar uma auditoria dos prontuários dos pacientes para avaliar a prática dos profissionais no tratamento das complicações. Utilizamos o teste do qui-quadrado para comparar as proporções.

Resultados: No total, 84,5% e 62,9% das instituições possuíam no mínimo um médico e três enfermeiros, respectivamente. Somente 13% das instituições de nível mais complexo possuíam especialistas. O sulfato de magnésio, o fármaco de escolha para controlar as convulsões na eclâmpsia, estava disponível em 18% dos CAPs, em 48% das unidades públicas de nível mais complexo e em 70% das unidades privadas. Em resposta ao caso-teste para eclâmpsia, 54,1% e 65,1% dos profissionais iriam administrar anti-hipertensivos e sulfato de magnésio, respectivamente; 24% administrariam oxigênio; e somente 18% iriam monitorar a toxicidade por sulfato de magnésio. No caso-teste para HPP, somente 37,7% dos profissionais avaliariam o tônus uterino e 40% definiram corretamente a HPP precoce. Os especialistas demonstraram melhores conhecimentos que os outros profissionais e as diferenças foram estatisticamente significativas. De modo geral, observamos más taxas de resposta para auditorias devido à baixa disponibilidade e manutenção de prontuários.

Conclusões: Para melhorar os desfechos maternos, é fundamental resolver os problemas ligados à prontidão das instituições e à competência dos profissionais para lidar com emergências obstétricas, além de melhorar a cobertura dos partos institucionais. É necessário fortalecer as competências clínicas e a capacidade de resolução de problemas dos profissionais por meio de iniciativas de capacitação que não se limitem ao treinamento pré-serviço; por exemplo, através de sistemas de tutoria no local de trabalho e de programas de supervisão. Tais iniciativas devem ser apoiadas pelos sistemas de saúde, que devem otimizar os contingentes de pessoal e as cadeias de abastecimento para melhorar a qualidade do cuidado obstétrico de emergência.

Resumo Original:

Background: The maternal mortality ratio in India has been declining over the past decade, but remains unacceptably high at 212 per 100,000 live births. Postpartum haemorrhage (PPH) and pre- eclampsia/eclampsia contribute to 40% of all maternal deaths. We assessed facility readiness and provider preparedness to deal with these two maternal complications in public and private health facilities of northern Karnataka state, south India.

Methods: We undertook a cross-sectional study of 131 primary health centres (PHCs) and 148 higher referral facilities (74 public and 74 private) in eight districts of the region. Facility infrastructure and providers' knowledge related to screening and management of complications were assessed using facility checklists and test cases, respectively. We also attempted an audit of case sheets to assess provider practice in the management of complications. Chi square tests were used for comparing proportions.

Results: 84.5% and 62.9% of all facilities had atleast one doctor and three nurses, respectively; only 13% of higher facilities had specialists. Magnesium sulphate, the drug of choice to control convulsions in eclampsia was available in 18% of PHCs, 48% of higher public facilities and 70% of private facilities. In response to the test case on eclampsia, 54.1% and 65.1% of providers would administer anti-hypertensives and magnesium sulphate, respectively; 24% would administer oxygen and only 18% would monitor for magnesium sulphate toxicity. For the test case on PPH, only 37.7% of the providers would assess for uterine tone, and 40% correctly defined early PPH. Specialists were better informed than the other cadres, and the differences were statistically significant. We experienced generally poor response rates for audits due to non-availability and non-maintenance of case sheets.

Conclusions: Addressing gaps in facility readiness and provider competencies for emergency obstetric care, alongside improving coverage of institutional deliveries, is critical to improve maternal outcomes. It is necessary to strengthen providers' clinical and problem solving skills through capacity building initiatives beyond pre-service training, such as through onsite mentoring and supportive supervision programs. This should be backed by a health systems response to streamline staffing and supply chains in order to improve the quality of emergency obstetric care.

Fonte:
BMC Pregnancy Childbirth ; 14(304): 2-10; 2014. DOI: 10.1186/1471-2393-14-304.
DECS:
anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, competência clínica, centros comunitários de saúde, pré-eclámpsia, obstetrícia, hemorragia pos-parto, gravidez, atenção primária à saúde