Segurança Transfusional: é possível?

Autor institucional: 
Hemorio
Resumo: 

Segurança Transfusional é atividade técnica e orientação bastante abrangente e complexa. Todos os profissionais, em todos os níveis, devem ser treinados e qualificados a exercer suas funções adequadamente com o objetivo de minimizar os riscos decorrentes da transfusão, sejam eles imediatos ou tardios. Fazem parte desta segurança, toda a cadeia produtiva do sangue e o ato transfusional, desde a captação de doadores até a liberação do componente como um produto utilizável, e desde a coleta da amostra até o término da transfusão em si, esteja o paciente sendo transfundido em caráter ambulatorial ou não.

CADEIA PRODUTIVA DO SANGUE

Promoção a Doação: Realizada por profissionais capacitados e acostumados a lidar com o público, quando expõem as necessidades de manutenção de estoques estratégicos e de segurança para o fornecimento de sangue e componentes à rede de hospitais que se serve do Hemocentro. Devem manter contato permanente com empresas, instituições, universidades, comunidades religiosas, familiares de pacientes, para obter comparecimento de candidatos a doação, visando principalmente a fidelização destes doadores.

Triagem Clínica e Laboratorial: Realizada por profissionais de nível superior com prática em entrevistas e valorização de respostas obtidas nos questionários fornecidos aos candidatos à doação. Avaliam as respostas e qualificam ou não os candidatos de acordo com as legislações vigentes em hemoterapia. Nesta fase o candidato a doação tem seus sinais vitais avaliados e, se considerado apto, passa ao setor de coleta.

Coleta:  O doador tem seu acesso venoso avaliado e, se a coleta for possível, terá início a degermação e a desinfecção da área de punção. são utilizadas bolsas plásticas estéreis e descartáveis, específicas para a coleta de sangue. No primeiro momento da saída do sangue, amostras são coletadas para realização de testes imunohematológicos e sorológicos que permitirão a liberação do sangue como produto utilizável. As unidades coletadas são mantidas em condições excelentes para manutenção de sua viabilidade e enviadas ao setor de preparação de hemocomponentes para separação das unidades de Sangue Total nos vários componentes possíveis de serem processados. Estes componentes  são armazenados dentro dos padrões exigidos para manutenção de suas características pelo período máximo de armazenamento possível ou são liberados para pacientes de acordo com as necessidades,

Amostras: As amostras coletadas na primeira fase da coleta da bolsa são enviadas aos laboratórios de Imunohematologia, Sorologia e NAT para que os exames pertinentes sejam realizados. São estes respectivamente: tipagem ABO e grupo Rh; triagem para os seguintes testes: HIV, Hepatite C e B; HTLV; doença de Chagas e sífilis. NAT para HIV e HCV. Após os resultados interfaceados com o Sistema de Informática, as unidades são liberadas ou não dependendo destes resultados. Os doadores que mostrarem reatividade nos exames sorológicos ou imunohematológicos serão rastreados e convidados a comparecer à instituição para se proceder a repetição dos exames em questão e confirmação destes resultados.

CICLO TRANSFUSIONAL

Prescrição médica: Solicitação padronizada pela instituição onde devem constar todas as informações necessárias a identificação de paciente ( nome completo, matrícula, enfermaria e leito ), indicação da transfusão, exames laboratoriais recentes que justifiquem a transfusão e eventos adversos anteriores a esta nova solicitação. A prescrição deverá conter as transfusões  solicitadas com intervalos de administração, se necessário.

Coleta de amostras:  Geralmente executada pela enfermagem de Hemoterapia ou técnicos de laboratório, com técnicas de punção conhecidas e usualmente praticadas. Quando há necessidade de coleta por técnica especial, esta deverá ser informada e praticada por profissional habilitado. Deverá constar na etiqueta da amostra a identificação completa do paciente (nome, matrícula, enfermaria e leito e hora da coleta), e do coletor. As amostras deverão ser transportadas imediatamente ao laboratório de Seleção pré-transfusional, em caixas térmicas apropriadas, evitando balanços e choques. Ao serem recebidas no laboratório de Seleção Transfusional, as amostras deverão ser avaliadas e conferidas com a solicitação.

Seleção Pré- transfusional: Deverá ser praticada por profissional qualificado com competência para identificar e resolver, se possível, os problemas que por ventura possam surgir na seleção da bolsa de sangue  a ser transfundida. Uma vez selecionada, a unidade do hemocomponente deverá ser registrada no sistema de informática, criando um vínculo com o paciente para que seja liberada apenas para o paciente em questão. Caso seja evidenciada a presença de qualquer anticorpo não usual no paciente, e que possa interferir na reação para a seleção do hemocomponente, esta amostra deverá ser submetida a um Estudo Imunohematológico na tentativa de elucidação do problema e seleção do componente desejado. Se necessário, novas amostras deverão ser solicitadas para complementação dos exames. O hemocomponente recebe etiqueta que identifica o paciente selecionado nas provas pré-transfusionais.

Expedição:  As bolsas selecionadas são transferidas ao Setor de Expedição que, quando necessário, seus profissionais executam procedimentos especiais, de acordo com a necessidade do paciente (desleucocitação, lavagem ou aliquotagem), e procedem a expedição específica para aquele paciente indicando os protocolos transfusionais na emissão da ficha de expedição. Em caso de procedimentos especiais, novas etiquetas são emitidas.

Transfusão:  havendo uma solicitação de transfusão, a enfermagem é acionada fazendo a verificação da prescrição, da solicitação e da disponibilidade do componente no Setor de Expedição. Em caixas tadequadas para transporte, o componente é levado ao posto de enfermagem responsável pelo paciente ou à Sala de Transfusão Ambulatorial. Após a identificação do paciente e a conferência de seus dados com os relatados na etiqueta da bolsa (nome, matrícula e grupo sanguíneo), são verificados seus sinais vitais pré-transfusionais e se procede a punção venosa por técnicas habituais. Quando o acesso venoso é impossível, um médico é chamado para punção de jugular externa ou punção de veia profunda. Havendo necessidade de pré-medicação ela é feita. Se não, inicia-se a transfusão sempre com atenção quanto a possíveis intercorrências. É necessário que o profissional que instalou o hemocomponente permaneça os 15 primeiros minutos ao lado do paciente par observar possíveis reações transfusionais graves que podem ocorrer neste período. Após o término da transfusão são verificados os sinais vitais pós transfusionais, o paciente fica em observação por aproximadamente meia hora e, então, é liberado pelo médico se tiver em condições de ser.

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